If you're going to try, go all the way.
Otherwise don't even start.
This could mean losing girlfriends, wives, relatives, jobs.
And maybe your mind.
It could mean not eating for three or four days.
It could mean freezing on a park bench.
It could mean jail.
It could mean derision.
It could mean mockery, isolation.
Isolation is the gift.
All the others are a test of your endurance.
Of how much you really want to do it.
And you'll do it, despite rejection in the worst odds.
And it will be better than anything else you can imagine.
If you're going to try, go all the way.
There is no other feeling like that.
You will be alone with the gods.
And the nights will flame with fire.
You will ride life straight to perfect laughter.
It's the only good fight there is.
Se vai tentar, vai fundo.
Senão nem vale a pena começar.
Você pode perder esposa, namorada, parente, emprego.
E talvez a cabeça.
Pode ficar sem comer por 3 ou 4 dias.
Pode congelar num banco de praça.
Pode ir pra cadeia.
Pode virar chacota.
Pode virar escárnio, isolamento.
Isolamento é a dádiva.
Todo o resto é um teste de resistência
do quanto você realmente quer fazer.
E você vai fundo, apesar de todas as formas de rejeição.
E vai ser melhor que qualquer coisa que possa imaginar.
Se vai tentar, vai fundo.
Não há sentimento que se compare.
Você estará sozinho com os Deuses.
E as noites terão o brilho do fogo.
Vai cavalgar a vida com um sorriso impecável.
É a única luta que vale a pena.
Do filme "Factotum", com Matt Dillon fazendo o Bukowski. Tradução minha.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Do Além - Parte 1: O Navio Fantasma
Já escrevi vários posts "seriais", onde escolho um determinado assunto - como mitologia egípcia ou teorias conspiratórias - e faço uma decupagem, dividindo o tema em vários tópicos, um em cada post. Esta série vai abordar fenômenos inexplicáveis, e apesar do meu entusiasmo natural por essas coisas, vou tentar ser o mais cético possível. Isso significa que figuras do naipe de ET de Varginha, Mister M e imagens da Virgem Maria no misto quente passarão longe daqui. O título "Do Além" deriva de um conto do Mestre H.P. Lovecraft, o maior escritor de horror de todos os tempos, o Tolkien do mal. Mas vamos aos fatos.

Histórias de navios fantasmas sempre foram bastante populares, mas até hoje nunca tinha ouvido nenhuma que merecesse algum crédito. Foi pesquisando um tal "Livro dos Danados" que descobri o caso do Mary Celeste. Em 1872 esse navio mercante partiu de Nova York com um carregamento de álcool etílico; o destino seria Gênova, na Itália. Contudo, a tripulação formada por 7 marinheiros, mais o capitão, sua esposa e filha nunca chegaram lá. Eles simplesmente desapareceram da face da terra sem deixar vestígio algum. A embarcação Dei Gratia encontrou o Mary Celeste à deriva no meio do Oceano Atlântico. Uma abordagem preliminar eliminou a hipótese de um ataque pirata, pois tanto a carga quanto os objetos pessoais da tripulação estavam intocados. O navio tinha alguns equipamentos avariados, faltava um bote salva-vidas, mas nada que levasse a crer que tinha enfrentado uma tempestade forte o suficiente para obrigar todos os ocupantes a abandoná-lo. Não houve relatos de maremotos ou tsunamis na área onde foi encontrado. Ele havia deixado a América apenas um mês antes e havia água e suprimentos em abundância. Além disso, os marinheiros eram experientes, não havia sinal algum de violência a bordo, enfim, configurou-se um mistério insolúvel. Depois desse evento, o Mary Celeste provou ter um quê de maldito: teve 17 donos em 13 anos e acabou naufragando propositadamente na costa haitiana para seu último proprietário receber o seguro da carga. Mas a fraude foi descoberta, um final coerente com a má reputação do navio.
Há várias explicações para o ocorrido, mas como relatei acima, as mais prováveis não fazem sentido. Nunca saberemos o que houve com o capitão Briggs, sua família e os 7 marinheiros. Será que foram abduzidos? Ou penetraram numa outra dimensão do espaço-tempo? A resposta fica a seu encargo.

Histórias de navios fantasmas sempre foram bastante populares, mas até hoje nunca tinha ouvido nenhuma que merecesse algum crédito. Foi pesquisando um tal "Livro dos Danados" que descobri o caso do Mary Celeste. Em 1872 esse navio mercante partiu de Nova York com um carregamento de álcool etílico; o destino seria Gênova, na Itália. Contudo, a tripulação formada por 7 marinheiros, mais o capitão, sua esposa e filha nunca chegaram lá. Eles simplesmente desapareceram da face da terra sem deixar vestígio algum. A embarcação Dei Gratia encontrou o Mary Celeste à deriva no meio do Oceano Atlântico. Uma abordagem preliminar eliminou a hipótese de um ataque pirata, pois tanto a carga quanto os objetos pessoais da tripulação estavam intocados. O navio tinha alguns equipamentos avariados, faltava um bote salva-vidas, mas nada que levasse a crer que tinha enfrentado uma tempestade forte o suficiente para obrigar todos os ocupantes a abandoná-lo. Não houve relatos de maremotos ou tsunamis na área onde foi encontrado. Ele havia deixado a América apenas um mês antes e havia água e suprimentos em abundância. Além disso, os marinheiros eram experientes, não havia sinal algum de violência a bordo, enfim, configurou-se um mistério insolúvel. Depois desse evento, o Mary Celeste provou ter um quê de maldito: teve 17 donos em 13 anos e acabou naufragando propositadamente na costa haitiana para seu último proprietário receber o seguro da carga. Mas a fraude foi descoberta, um final coerente com a má reputação do navio.
Há várias explicações para o ocorrido, mas como relatei acima, as mais prováveis não fazem sentido. Nunca saberemos o que houve com o capitão Briggs, sua família e os 7 marinheiros. Será que foram abduzidos? Ou penetraram numa outra dimensão do espaço-tempo? A resposta fica a seu encargo.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Herói

A Família Soprano, além de ter sido uma das mais premiadas séries da história da tv, também notabilizou-se por retratar com muita humanidade a classe dos mafiosos. Personagens complexos, contraditórios, com sentimentos de culpa e fraqueza, apesar do cotidiano violento. Tony Soprano, o chefão de quem esperamos ter total desprezo pela vida humana, nervos de aço, brutalidade e pouco remorso, na verdade é um sujeito atormentado sob cuidados psiquiátricos. Tony sente que é um espécimen em extinção, dividido entre os papéis de pai, marido e gângster. Os códigos de conduta de sua organização mafiosa estão ficando obsoletos, não há mais respeito. Cada vez mais descrente, ele constata, atônito, que o arcabouço de valores da sociedade"normal", das pessoas que ganham a vida honestamente, também sofreu a mesma degeneração. Com um ar de desalento ele pergunta à sua psiquiatra o que aconteceu com aqueles caras tipo Gary Cooper, fortes, silenciosos, os heróis de uma época quando ainda havia ingenuidade e glamour suficientes para acreditarmos em heróis.
O crítico Antônio Cândido relata em uma entrevista que as gerações que o sucederam (ele é contemporâneo dos Modernistas de 22) carecem cada vez mais de grandes homens. Já houve épocas em que milhões morriam por um ideal. Os princípios eram maiores que as pessoas, românticos lutavam por utopias, a crença de que seus atos poderiam mudar não só você mesmo, mas exercer efeitos em grande escala. Você podia ser comunista, hippie, fascista, mas fazia parte de um grupo com o qual partilhava idéias, padrões de comportamento, sonhos, paixões.

Isso me remete a um dos primeiros posts que escrevi, citações em inglês de diálogos do filme Waking Life:
Temo que estejamos perdendo as verdadeiras virtudes de viver apaixonadamente, no sentido de ser responsável por quem você é, a habilidade de fazer algo de si mesmo e se sentir bem sobre a vida.
O que aconteceu com os modelos de comportamento? Examinadas pelas lentes papparazzi do pós-modernismo, não há personalidade que resista a um exame mais cuidadoso. Somos todos fracos demais, demasiado vítimas de nós mesmos. Reduzidos ao status de consumidores do mundo livre.
Assisti 3 filmes relativamente novos e cada um à sua maneira se relaciona com esse desencanto. Em Frost/Nixon temos um apresentador de tv pioneiro no fato de ser famoso apesar de não ter nenhum talento especial. Hoje há inúmeras pessoas que se tornaram celebridades porque aparecem na mídia, e uma boa aparência basta. O filme mostra um embate entre esse homem vazio e vaidoso e um ex-presidente cínico e imoral, mas incapaz de esconder a vergonha que sente por ter sido desmascarado. Prenúncio de tempos mais escandalosos, na época os políticos ainda se envergonhavam e o anônimo rosto bonito da tv ainda tinha ambições intelectuais concretas.
Michael Douglas deixa a barba crescer em O Rei da California. Convoca a filha para ajudá-lo a encontrar nos dias de hoje um tesouro enterrado há 400 anos numa terra apinhada de cadeias de lanchonete e shopping centers. Ele é louco, é claro. Mas o grande barato do filme é que a filha resolve acreditar em sua história, e nessa busca escapam para uma realidade onde podem transgredir sua sina decadente e encontrarem uma conexão através do sonho. Desse modo, são heróis. Perto do amor mútuo que resgatam, qualquer tesouro vale pouco.
No entanto, o que realmente me fascinou foi Conduta de Risco. Porque é uma pequena obra prima sobre transformação pessoal, virtude, amor à vida. Esqueça que é com George Clooney e preste atenção em seu personagem, o advogado Michael Clayton, um verdadeiro herói contemporâneo que tem conflitos, muitos defeitos, mas que apesar disso tem o a nobreza de contrariar o sistema e agir de acordo com sua consciência na decisão mais importante de sua carreira. Parece lugar-comum? A sinceridade que consegue imprimir dá a seu personagem dimensões humanas raras nos heróis de cinema. Sobretudo nos atuais. Ele me relembra outro trecho de Waking Life:
A mensagem aqui é que nunca devemos nos eximir de culpa ou se ver como vítima de várias forças. Quem somos é sempre uma decisão nossa.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Manuscrito encontrado sob um colchão de Hospital Psiquiátrico - Quatro
10/6/09
Alvorada. "Acorda, patativa, e vem cantar". Ou dançar. Há pessoas que passam a vida inteira sem dançar, como ele. Ainda não está livre o suficiente para tanto. Um dia estará, ele sonha. Certamente nunca mais seria chamado de "patativa" depois que sua mulher se fora, muito menos daquele jeito cheio de alegria típico dela. E aquilo o fez chorar. Primeiro una fortiva lacrima, ainda às 4 e poucas. Depois nesse momento, às 5:37 a.m. Ela se fora como um anjo que abre mão de sua vida para salvar a de outro. Ele tem vontade de pedir perdão, "me perdoa, sugar". Mas ela não está ali. A não ser que tenha virado uma canção, como na música do China. Assim ela não morreria nunca. Pensar aquilo lhe dá um certo conforto.
Como um combatente num filme velho de guerra com Frank Sinatra e Dean Martin ele ainda tem vontade de dizer a ela que vai honrar sua morte vivendo uma vida digna. Céus, hoje, sob a guarda de Jorge e a de Deus todo poderoso, o cara acordou sensível, sem saber se aquilo era uma benção ou maldição, provavelmente os dois. E resolve pensar na África, onde todos riem, cantam e dançam apesar da miséria. O programa de tv que assiste entrevista um sociólogo francês casado com uma africana. A pobreza não contamina suas almas. O cara quer escrever sobre pessoas. Como elas são. Porque Bogart disse em Casablanca que fulano de tal ser bêbado, ou estar sempre bêbado o fazia uma criatura do mundo? Não inglês, alemão, peruano ou mundano, mas do Mundo
Alvorada. "Acorda, patativa, e vem cantar". Ou dançar. Há pessoas que passam a vida inteira sem dançar, como ele. Ainda não está livre o suficiente para tanto. Um dia estará, ele sonha. Certamente nunca mais seria chamado de "patativa" depois que sua mulher se fora, muito menos daquele jeito cheio de alegria típico dela. E aquilo o fez chorar. Primeiro una fortiva lacrima, ainda às 4 e poucas. Depois nesse momento, às 5:37 a.m. Ela se fora como um anjo que abre mão de sua vida para salvar a de outro. Ele tem vontade de pedir perdão, "me perdoa, sugar". Mas ela não está ali. A não ser que tenha virado uma canção, como na música do China. Assim ela não morreria nunca. Pensar aquilo lhe dá um certo conforto.
Como um combatente num filme velho de guerra com Frank Sinatra e Dean Martin ele ainda tem vontade de dizer a ela que vai honrar sua morte vivendo uma vida digna. Céus, hoje, sob a guarda de Jorge e a de Deus todo poderoso, o cara acordou sensível, sem saber se aquilo era uma benção ou maldição, provavelmente os dois. E resolve pensar na África, onde todos riem, cantam e dançam apesar da miséria. O programa de tv que assiste entrevista um sociólogo francês casado com uma africana. A pobreza não contamina suas almas. O cara quer escrever sobre pessoas. Como elas são. Porque Bogart disse em Casablanca que fulano de tal ser bêbado, ou estar sempre bêbado o fazia uma criatura do mundo? Não inglês, alemão, peruano ou mundano, mas do Mundo
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Manuscrito encontrado sob um colchão de Hospital Psiquiátrico - Três
Terceiro capítulo, comece no Um. Ou não.
A linha de raciocínio mais uma vez é interrompida. Stan, o dj, entra no quarto pedindo biscoito e relata uma fuga dos internos. O homem fica inquieto, quer saber quem fugiu, pois teme que o amigo Celinho esteja entre eles. Toma café com leite, fuma um carlton, vai até a "times square" (o corredor anexo à enfermaria, ganhou esse nome porque ali o tempo nunca parecia passar). Do seu lado aparece um interno visivelmente noiado. O homem volta pro quarto e liga a tv: comédia romântica com Ben Stiller. Porcaria. O personagem de nome Sr. Pfeffer, numa dessas raríssimas falas memoráveis nos filmes atuais, diz que a vida não é sobre o que foi ou deixou de ser feito, se você já foi grande ou tem planos mirabolantes; o que importa é a própria jornada, pelo amor de Deus! E que se algo bacana te acontecer no caminho, por favor esteja presente e desfrute o momento. Enquanto isso, não leve as coisas tão a sério, procure se divertir. Ele diz isso tudo pro cara que é um ator fracassado. Qual o nome dele mesmo? Ah, sim, Philip Seymour Hoffman, mostram os créditos. Grande ator.
A linha de raciocínio mais uma vez é interrompida. Stan, o dj, entra no quarto pedindo biscoito e relata uma fuga dos internos. O homem fica inquieto, quer saber quem fugiu, pois teme que o amigo Celinho esteja entre eles. Toma café com leite, fuma um carlton, vai até a "times square" (o corredor anexo à enfermaria, ganhou esse nome porque ali o tempo nunca parecia passar). Do seu lado aparece um interno visivelmente noiado. O homem volta pro quarto e liga a tv: comédia romântica com Ben Stiller. Porcaria. O personagem de nome Sr. Pfeffer, numa dessas raríssimas falas memoráveis nos filmes atuais, diz que a vida não é sobre o que foi ou deixou de ser feito, se você já foi grande ou tem planos mirabolantes; o que importa é a própria jornada, pelo amor de Deus! E que se algo bacana te acontecer no caminho, por favor esteja presente e desfrute o momento. Enquanto isso, não leve as coisas tão a sério, procure se divertir. Ele diz isso tudo pro cara que é um ator fracassado. Qual o nome dele mesmo? Ah, sim, Philip Seymour Hoffman, mostram os créditos. Grande ator.
domingo, 9 de agosto de 2009
Manuscrito encontrado sob um colchão de Hospital Psiquiátrico - Dois
(continuação; leia antes a parte Um)
Primeiro foi o cãozinho. Uma dessas raças fofinhas. Com certeza já estava doente, talvez fosse geneticamente defeituoso e o Josimar deixou com o homem porque não sabia o que fazer com o bicho. Afinal, Josimar sabia que ele e a mulher não permitiriam que atravessasse a cidade de moto na noite gelada com aquela criaturinha frágil. Caíram feito patos. O cachorrinho branco, batizado Pisquilo, morreu menos de um dia depois. O homem ainda gastou R$ 170,00 com veterinário, o que de nada adiantou. Viu o exato instante em que o sopro de vida saiu do bichinho e não voltou mais. Ficou chocado e deprimido. Prometeu a si mesmo nunca mais presenciar aquilo. O testemunho da visita do grandalhão de túnica negra, capuz e foice. The grim reaper. O Ceifeiro.
Pois poucas semanas depois o Ceifeiro voltaria a visitá-lo para roubar o fôlego de mais um vivente muito próximo dele: sua companheira, sua mulher.
9/6/09
E foi na reunião dos Narcóticos Anônimos, ali mesmo no hospital.
"Nunca mais vou te deixar pois agora sou uma canção". Música de China. Linda. É a Isabel. "Bebel, te amo muito, não importa onde você estiver. Hoje meus olhos ficaram marejados quando falei de ti pro psicólogo". "Você chorou na morte dela ou desde então?", pergunta o psicólogo. "Deixe-se acreditar, esse é o Reino da Alegria, não tema", diz o estranho clipe do Mombojó.
(continua)
Primeiro foi o cãozinho. Uma dessas raças fofinhas. Com certeza já estava doente, talvez fosse geneticamente defeituoso e o Josimar deixou com o homem porque não sabia o que fazer com o bicho. Afinal, Josimar sabia que ele e a mulher não permitiriam que atravessasse a cidade de moto na noite gelada com aquela criaturinha frágil. Caíram feito patos. O cachorrinho branco, batizado Pisquilo, morreu menos de um dia depois. O homem ainda gastou R$ 170,00 com veterinário, o que de nada adiantou. Viu o exato instante em que o sopro de vida saiu do bichinho e não voltou mais. Ficou chocado e deprimido. Prometeu a si mesmo nunca mais presenciar aquilo. O testemunho da visita do grandalhão de túnica negra, capuz e foice. The grim reaper. O Ceifeiro.
Pois poucas semanas depois o Ceifeiro voltaria a visitá-lo para roubar o fôlego de mais um vivente muito próximo dele: sua companheira, sua mulher.
9/6/09
E foi na reunião dos Narcóticos Anônimos, ali mesmo no hospital.
"Nunca mais vou te deixar pois agora sou uma canção". Música de China. Linda. É a Isabel. "Bebel, te amo muito, não importa onde você estiver. Hoje meus olhos ficaram marejados quando falei de ti pro psicólogo". "Você chorou na morte dela ou desde então?", pergunta o psicólogo. "Deixe-se acreditar, esse é o Reino da Alegria, não tema", diz o estranho clipe do Mombojó.
(continua)
sábado, 8 de agosto de 2009
Manuscrito encontrado sob um colchão de Hospital Psiquiátrico - Um
Uns meses atrás li uma matéria nalgum lugar sobre uma revista americana cujo conteúdo é composto de notas anônimas encontradas ao acaso: na rua, em latas de lixo, esquecidas em salas de espera de um dentista etc. Desde listas de compras até poesias. Achei supimpa, fiquei doido pra ler a publicação.
Mas como o destino, esse gozador, sempre nos apronta uma, nunca tive a oportunidade de ler a tal revista, mas chegou às minhas mãos uma fascinante narrativa achada randomicamente, - à maneira de Narrativa de A. G. Pym, do Edgar Allan Poe - através da enfermeira da minha avó. Ela tem outro emprego numa instituição psiquiátrica e há poucos dias, ao trocar os lençóis de um paciente recém-saído, descobriu uma porção de folhas de papel higiênico preenchidas com uma escrita elegante e sinuosa. Por algum motivo guardou o manuscrito e depois me mostrou. Formidável.
8/6/09
E olhou para o céu de novo. Não havia muito a se fazer ali a não ser zanzar pelos corredores, num tipo de corrida com obstáculos, estes sendo os habituais pedidores do cigarro, os loucos 22, médicos que pareciam estar em suas próprias corridas com obstáculos. Ou, enfim, espiar as nuvens, quando possível, o que nem sempre era. Havia contingências, como céus de Brigadeiro e horários específicos para permanecerem no pátio, quando, aí sim, podia refletir sobre a fugacidade das nuvens de inverno, suas tonalidades que não encontravam simulacros. Etéreas, como o tal corpo que os espíritas dizem que possuímos. Sopro de vida. É simples assim: ou ele está presente em você ou não. Naqueles últimos 30 dias ele havia presenciado duas criaturas perderem a vida ali, do seu lado.
(continua)
Mas como o destino, esse gozador, sempre nos apronta uma, nunca tive a oportunidade de ler a tal revista, mas chegou às minhas mãos uma fascinante narrativa achada randomicamente, - à maneira de Narrativa de A. G. Pym, do Edgar Allan Poe - através da enfermeira da minha avó. Ela tem outro emprego numa instituição psiquiátrica e há poucos dias, ao trocar os lençóis de um paciente recém-saído, descobriu uma porção de folhas de papel higiênico preenchidas com uma escrita elegante e sinuosa. Por algum motivo guardou o manuscrito e depois me mostrou. Formidável.
8/6/09
E olhou para o céu de novo. Não havia muito a se fazer ali a não ser zanzar pelos corredores, num tipo de corrida com obstáculos, estes sendo os habituais pedidores do cigarro, os loucos 22, médicos que pareciam estar em suas próprias corridas com obstáculos. Ou, enfim, espiar as nuvens, quando possível, o que nem sempre era. Havia contingências, como céus de Brigadeiro e horários específicos para permanecerem no pátio, quando, aí sim, podia refletir sobre a fugacidade das nuvens de inverno, suas tonalidades que não encontravam simulacros. Etéreas, como o tal corpo que os espíritas dizem que possuímos. Sopro de vida. É simples assim: ou ele está presente em você ou não. Naqueles últimos 30 dias ele havia presenciado duas criaturas perderem a vida ali, do seu lado.
(continua)
quinta-feira, 16 de julho de 2009
A walk - Bad Religion & Pink Floyd
I'm going for a walk
not the after dinner kind
I'm gonna use my hands
and I'm gonna use my mind
(...)
I'm going for a walk and there's nothing you can do
'cuz I don't have to live like you
so I'm going for a walk
(tem o clipe no You Tube)
Caminhou pela cidade deserta. E pensou se conseguiria se encarar por 10 segundos no espelho. Mas sempre voltamos pra casa. Tomara.
Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired
It's good to warm my bones beside the fire
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells
not the after dinner kind
I'm gonna use my hands
and I'm gonna use my mind
(...)
I'm going for a walk and there's nothing you can do
'cuz I don't have to live like you
so I'm going for a walk
(tem o clipe no You Tube)
Caminhou pela cidade deserta. E pensou se conseguiria se encarar por 10 segundos no espelho. Mas sempre voltamos pra casa. Tomara.
Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired
It's good to warm my bones beside the fire
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells
sábado, 16 de maio de 2009
Aparência do Mundo
Há dias de roda-gigante e dias de moinho. Nuns o mundo parece fascinante, acolhedor, alegre e convidativo. Noutros, parafraseando o Cartola, parece triturar nossos sonhos, dos amores herdamos só o cinismo e a cada esquina a vida cai um pouco mais. São os dias em que cavamos o próprio abismo. Nessas ocasiões às vezes o único consolo que pode haver é que sem provar o fel nunca daremos valor ao mel. E assim por diante. Não quero ficar enfileirando chavões. Vamos mudar de assunto.
Ia falar mais sobre o Cartola, mas resolvi poupar o meu tempo e o seu, de modo que se você estiver curioso sobre a origem do apelido ou que tipo de vida ele levou pra escrever músicas tão lindamente melancólicas é só clicar no link. Achei altamente instrutivo.
Ia falar mais sobre o Cartola, mas resolvi poupar o meu tempo e o seu, de modo que se você estiver curioso sobre a origem do apelido ou que tipo de vida ele levou pra escrever músicas tão lindamente melancólicas é só clicar no link. Achei altamente instrutivo.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Nostálgico e Ranheta: Introdução a Banksy
Como a História é irônica... lembrando àqueles que têm menos de 20 anos, ou mesmo os que têm mais, mas enchem a boca pra dizer que "detestam política" e acham que jornal é aquela coisa apresentada na tv por um casal até simpático, mas que só serve pra encher linguiça entre uma novela e outra: houve um tempo em que termos como "subversão" e "regime militar" estavam bem mais em voga. A ironia é que, embora fossem expressões antagônicas, quase excludentes - só apareciam na mesma frase se ela fosse tipo: "O regime militar tem lutado contra a subversão" ou vice-versa - uma se alimentava da outra. Os milicos só chegaram ao poder em 1964 com o apoio das classes mais abastadas, que julgavam que só eles poderiam anular a "ameaça vermelha", os comunas, os elementos subversivos, as libelus e os MR-8s. E a ditadura perdurou por 20 anos, ou 25, se levarmos em conta que só em 89 houve eleições diretas para presidente, quando esse povo que acha que jornal é sinônimo de casal Bonner, elegeu um safado com cara de galã de novela e nariz de freguês do Pablo Escobar.
Antes disso tivemos os tais "anos de chumbo", em que a censura imperava nos meios de comunicação. Ninguém podia falar mal do governo, mesmo uma rodinha na esquina de meia dúzia de gatos pingados podia ser considerada um ato subversivo e a polícia descia o cacete, isso se não te levavam pro Doi-Codi; aí, meu amigo, você no mínimo ganhava uma entrada grátis para a Torturolândia. Tempos de liberdade cerceada, senadores biônicos, muita repressão nas ruas, de terrorismo no Brasil(!). Quem não viveu nesse tempo dá pouco valor a direitos como: votar, pegar um megafone e xingar o presidente ou bloquear a rua num ato contra a violência policial. Aliás, se hoje coisas como mortes diárias de inocentes por "balas perdidas" e veículos policiais tipo "caveirão" viraram banalidades, pode creditar boa parte da culpa à ditadura. Ela foi a mãe do Bope, da Rota, enfim, do uso do aparato estatal para impor uma determinada ordem social na força bruta. Lembre-se que a polícia existe para proteger e servir à todos, sem distinção. Lembre-se também que muita gente morreu por uma causa hoje subvalorizada, subestimada ou mesmo, desconhecida. E que, de forma indireta, prestou um grande serviço à MPB.
Sim, pois a geração de artistas que debutou nos anos 60/70 tinha que carregar nas metáforas, hipérboles, metonímias e outras palavras acentuadas de significado ignoto para passar seu ponto de vista sem chamar a atenção dos censores. Eram os "subversivos". Então Chico cantava que apesar de você amanhã há de ser outro dia, sem especificar o você. Noutra queria nos dizer apenas que a coisa aqui tá preta. E em Bye-Bye Brasil, não dava pra falar muito, não. Espera passar o avião/ assim que o inverno passar/ eu acho que vou te buscar. Talvez uma menção velada aos exilados políticos no exterior. E aqui está a ironia: enquanto a ditadura vigorou, os medalhões da música popular gravaram seus melhores discos, a MPB teve sua Era de Ouro. Sei que a afirmação é polêmica, mas é minha opinião, dá licença? Não só os famigerados Chico, Caetano, Gil e Milton, mas também os pré-mauricinhos da jovem guarda - Roberto, Erasmo e outros esquecidos. Sem falar em Novos Baianos, Secos e Molhados, Sá, Rodrix e Guarabira, Jorge Ben, Tim Maia, o Clube da Esquina - casualmente, a poucos quarteirões donde escrevo - e o milenar, unânime Raul. A lista é extensa. E todos, com a provável exceção da jovem guarda, tidos pelas autoridades como subversivos, imorais, devassos, drogados etc.
Na imprensa havia o Pasquim, muita gente boa se esmerando nas figuras de linguagem para driblar a censura. E no finalzinho do regime veio o genial Planeta Diário, seguido pela Casseta Popular. Quando a Globo conseguiu cooptá-los pra tv, gradualmente sua graça, irreverência e escracho foram vampirizados. Hoje parecem uma cópia mais chula e menos criativa de si mesmos. Na literatura estrearam Ignácio de Loyola Brandão, Rubem Fonseca (a quem devo nome deste blog), Moacyr Scliar, Caio Fernando de Abreu, Wander Pirolli, Fausto Wolff, o poeta Chacal e mais um bando.
Voltando à música, a criatividade brasileira deu seu último suspiro com os roqueiros do meio dos 80. Mas Deus levou dois dos poucos poetas verdadeiros, Cazuza & Renato Russo, para nos deixar com Frejat & Dinho Ouro Preto. Sacanagem... E no meio do caminho entre Elis Regina e musas com nome de frutas havia umas mamonas assassinas.
E eu que queria escrever sobre um grafiteiro inglês que seria um dos poucos subversivos autênticos do Século XXI, fico por aqui porque o texto já está grande demais. Talvez esse discurso nostálgico e ranheta já virou até clichê, mas não posso deixar de perguntar ao leitor: quem substituiu esses caras todos?
Antes disso tivemos os tais "anos de chumbo", em que a censura imperava nos meios de comunicação. Ninguém podia falar mal do governo, mesmo uma rodinha na esquina de meia dúzia de gatos pingados podia ser considerada um ato subversivo e a polícia descia o cacete, isso se não te levavam pro Doi-Codi; aí, meu amigo, você no mínimo ganhava uma entrada grátis para a Torturolândia. Tempos de liberdade cerceada, senadores biônicos, muita repressão nas ruas, de terrorismo no Brasil(!). Quem não viveu nesse tempo dá pouco valor a direitos como: votar, pegar um megafone e xingar o presidente ou bloquear a rua num ato contra a violência policial. Aliás, se hoje coisas como mortes diárias de inocentes por "balas perdidas" e veículos policiais tipo "caveirão" viraram banalidades, pode creditar boa parte da culpa à ditadura. Ela foi a mãe do Bope, da Rota, enfim, do uso do aparato estatal para impor uma determinada ordem social na força bruta. Lembre-se que a polícia existe para proteger e servir à todos, sem distinção. Lembre-se também que muita gente morreu por uma causa hoje subvalorizada, subestimada ou mesmo, desconhecida. E que, de forma indireta, prestou um grande serviço à MPB.
Sim, pois a geração de artistas que debutou nos anos 60/70 tinha que carregar nas metáforas, hipérboles, metonímias e outras palavras acentuadas de significado ignoto para passar seu ponto de vista sem chamar a atenção dos censores. Eram os "subversivos". Então Chico cantava que apesar de você amanhã há de ser outro dia, sem especificar o você. Noutra queria nos dizer apenas que a coisa aqui tá preta. E em Bye-Bye Brasil, não dava pra falar muito, não. Espera passar o avião/ assim que o inverno passar/ eu acho que vou te buscar. Talvez uma menção velada aos exilados políticos no exterior. E aqui está a ironia: enquanto a ditadura vigorou, os medalhões da música popular gravaram seus melhores discos, a MPB teve sua Era de Ouro. Sei que a afirmação é polêmica, mas é minha opinião, dá licença? Não só os famigerados Chico, Caetano, Gil e Milton, mas também os pré-mauricinhos da jovem guarda - Roberto, Erasmo e outros esquecidos. Sem falar em Novos Baianos, Secos e Molhados, Sá, Rodrix e Guarabira, Jorge Ben, Tim Maia, o Clube da Esquina - casualmente, a poucos quarteirões donde escrevo - e o milenar, unânime Raul. A lista é extensa. E todos, com a provável exceção da jovem guarda, tidos pelas autoridades como subversivos, imorais, devassos, drogados etc.
Na imprensa havia o Pasquim, muita gente boa se esmerando nas figuras de linguagem para driblar a censura. E no finalzinho do regime veio o genial Planeta Diário, seguido pela Casseta Popular. Quando a Globo conseguiu cooptá-los pra tv, gradualmente sua graça, irreverência e escracho foram vampirizados. Hoje parecem uma cópia mais chula e menos criativa de si mesmos. Na literatura estrearam Ignácio de Loyola Brandão, Rubem Fonseca (a quem devo nome deste blog), Moacyr Scliar, Caio Fernando de Abreu, Wander Pirolli, Fausto Wolff, o poeta Chacal e mais um bando.
Voltando à música, a criatividade brasileira deu seu último suspiro com os roqueiros do meio dos 80. Mas Deus levou dois dos poucos poetas verdadeiros, Cazuza & Renato Russo, para nos deixar com Frejat & Dinho Ouro Preto. Sacanagem... E no meio do caminho entre Elis Regina e musas com nome de frutas havia umas mamonas assassinas.
E eu que queria escrever sobre um grafiteiro inglês que seria um dos poucos subversivos autênticos do Século XXI, fico por aqui porque o texto já está grande demais. Talvez esse discurso nostálgico e ranheta já virou até clichê, mas não posso deixar de perguntar ao leitor: quem substituiu esses caras todos?
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Ucrânia em Moçambique
Estava de bobeira navegando no IMDB, a pescoçar os fóruns sobre filmes brasileiros pra saber a opinião dos nerds d´além mar a respeito de nossa produção cinematográfica. Queria saber se conhecem algo que não seja Cidade de Deus. Um tal dyatsyuk, por exemplo, viu Meu nome não é Johnny e, apesar de ter gostado, disse que esperava algo mais "espetacular", no estilo Tropa de Elite. Diz ainda que o "governo brasileiro tem um papel muito importante no renascimento" do nosso cinema. Esse comentário me intrigou, pois pelo que sei, fora a Lei Rouanet, criada há pelo menos 10 anos, ultimamente o governo pouco tem feito pelo nosso cinema. E, particularmente, não discordo dessa postura. Só de lembrar dos tempos da Embrafilme, nos anos 70/80, quando o Estado bancava as produções brazucas, tenho calafrios. Com raras exceções, os filmes dessa época eram tenebrosos e foram responsáveis por incutir no público da época um verdadeiro asco pelo cinema brasileiro.
Mas eu falava do intrigante comentário de dyatsyuk. No rodapé da mensagem tinha um link para um blog de nome curioso: ucrania-mozambique. Isso esclarecia parte do mistério. A Ucrânia é uma ex-República Soviética e Moçambique tem um passado de revoluções socialistas. Nosso amigo com certeza viveu em lugares de forte intervenção estatal, então naturalmente presumiu que as coisas fossem semelhantes por aqui. Mesmo assim resolvi dar uma olhada no blog.
"Ucrânia em África" foi criado "em defesa dos direitos humanos & relacionamentos históricos Ucrânia-Mozambique". Achei muito legal, bem redigido, com posts interessantes e, ao contrário desse espaço aqui, tem foco, objetivo definido, uma verdadeira raison d´être. Muita coisa que foge da mídia massificada, histórias que nunca chegariam até nós se não fosse por ele.
Por exemplo: você sabia que em 14 de dezembro de 2008 foi inaugurada na Matriz de São Basílio Magno, aqui mesmo no Paraná, uma exposição sobre a Grande Fome que assolou a Ucrânia em 1932/3? Conhecida como Holodomor, a tragédia foi causada pelo tirânico regime soviético - provavelmente Stálin já estava no poder - e ceifou praticamente 10 milhões de vidas. As autoridades simplesmente confiscavam toda a comida dos camponeses, mas o post não chega a explicar os motivos para tamanha crueldade. Houve relatos de canibalismo. Eu nunca tinha ouvido falar nesse genocídio, o Politburo era um exímio acobertador de más notícias, mas hoje o governo ucraniano luta pelo reconhecimento desse triste capítulo da história do país.
E tem muito mais. Coisas de bom gosto, como a exibição de capas da revista New Yorker; e uma notícia que achei a mais bacana, pelo inusitado e pelo tom humano, chamando atenção para uma minoria que sempre sofreu com perseguições e preconceito. O título: "Ucrânia publica o primeiro abecedário cigano da Europa".
http://ucrania-mozambique.blogspot.com/
Mas eu falava do intrigante comentário de dyatsyuk. No rodapé da mensagem tinha um link para um blog de nome curioso: ucrania-mozambique. Isso esclarecia parte do mistério. A Ucrânia é uma ex-República Soviética e Moçambique tem um passado de revoluções socialistas. Nosso amigo com certeza viveu em lugares de forte intervenção estatal, então naturalmente presumiu que as coisas fossem semelhantes por aqui. Mesmo assim resolvi dar uma olhada no blog.
"Ucrânia em África" foi criado "em defesa dos direitos humanos & relacionamentos históricos Ucrânia-Mozambique". Achei muito legal, bem redigido, com posts interessantes e, ao contrário desse espaço aqui, tem foco, objetivo definido, uma verdadeira raison d´être. Muita coisa que foge da mídia massificada, histórias que nunca chegariam até nós se não fosse por ele.
Por exemplo: você sabia que em 14 de dezembro de 2008 foi inaugurada na Matriz de São Basílio Magno, aqui mesmo no Paraná, uma exposição sobre a Grande Fome que assolou a Ucrânia em 1932/3? Conhecida como Holodomor, a tragédia foi causada pelo tirânico regime soviético - provavelmente Stálin já estava no poder - e ceifou praticamente 10 milhões de vidas. As autoridades simplesmente confiscavam toda a comida dos camponeses, mas o post não chega a explicar os motivos para tamanha crueldade. Houve relatos de canibalismo. Eu nunca tinha ouvido falar nesse genocídio, o Politburo era um exímio acobertador de más notícias, mas hoje o governo ucraniano luta pelo reconhecimento desse triste capítulo da história do país.
E tem muito mais. Coisas de bom gosto, como a exibição de capas da revista New Yorker; e uma notícia que achei a mais bacana, pelo inusitado e pelo tom humano, chamando atenção para uma minoria que sempre sofreu com perseguições e preconceito. O título: "Ucrânia publica o primeiro abecedário cigano da Europa".
http://ucrania-mozambique.blogspot.com/
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Fragmentos Fabulosos de Filmes - Parte 1
Todo filme legal tem uma parte, uma seqûencia especialmente antológica. Comecemos pelas comédias:
- O sonho do Dude (Jeff Bridges) em O Grande Lebowski, mesclando boliche com pornografia. Ao fundo o blues My Condition
- Jim Carrey e Matthew Broderick duelando no Medieval Times em O Pentelho; Carrey improvisa a trilha sonora inspirada em filmes épicos.
- Michael Palin faz um gago tentando inutilmente proferir uma única frase a John Cleese em Um Peixe chamado Wanda. Aliás, esse flme tem uma penca de cenas memoráveis.
- Em Como Enlouquecer seu Chefe, homens de gravata destroem uma máquina de xerox em câmera lenta ao som de rap.
- O diálogo final de Quanto mais Quente Melhor: Jack Lemmon tira a peruca e diz pro velhote que estava enganando que não podem se casar, pois ele é homem. O velho nem trisca e responde: "sem problema, ninguém é perfeito".
- Mr. Garrison canta sua canção natalina na politicamente incorreta versão cinematográfica de South Park.
- O sonho do Dude (Jeff Bridges) em O Grande Lebowski, mesclando boliche com pornografia. Ao fundo o blues My Condition
- Jim Carrey e Matthew Broderick duelando no Medieval Times em O Pentelho; Carrey improvisa a trilha sonora inspirada em filmes épicos.
- Michael Palin faz um gago tentando inutilmente proferir uma única frase a John Cleese em Um Peixe chamado Wanda. Aliás, esse flme tem uma penca de cenas memoráveis.
- Em Como Enlouquecer seu Chefe, homens de gravata destroem uma máquina de xerox em câmera lenta ao som de rap.
- O diálogo final de Quanto mais Quente Melhor: Jack Lemmon tira a peruca e diz pro velhote que estava enganando que não podem se casar, pois ele é homem. O velho nem trisca e responde: "sem problema, ninguém é perfeito".
- Mr. Garrison canta sua canção natalina na politicamente incorreta versão cinematográfica de South Park.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Jim Jones vira hype e os Evangélicos fazem cara feia
Extraordinário. Formidável. Supimpa. Num blog quase esquecido pelo próprio autor, um obscuro post escrito há mais de dois anos ganha comentários de mais de uma dúzia de internautas, um recorde. Muita gente não gostou do texto. A esses arautos de seitas evangélicas tenho o seguinte a dizer:
Em momento algum comparei a seita de Jim Jones a qualquer tipo de crença. Acho que se ofenderam com o trecho: "assim como muita sensata hoje em dia embarca na barafunda dos televangelistas, na época muitos o levaram a sério". Vivemos tempos contraditórios, com inversão de valores e tudo que isso acarreta. Como é tudo muito confuso, abraçar um pacote de dogmas pré-estabelecidos e não questioná-los parece ser a solução mais fácil, ou mesmo mais sensata. Mas sempre há um preço (além do dízimo, he, he), cada escolha é uma renúncia, e no caso seria a adoção de uma mentalidade bitolada, intolerante, que carece de empatia. Que mal há em aceitar o Deus na concepção Kardecista, por exemplo? Se alguns se identificaram com seguidores fanáticos que gradualmente foram abrindo mão de suas escolhas até não terem nenhuma, não seria hora de fazerem um exame de consciência? Obviamente ninguém seguiria Jim Jones se soubesse que no fim seria obrigado a se matar. Mas, cá entre nós, a sua igreja às vezes não induz a certos procedimentos que uma vozinha lá no fundo da sua mente diz: "será que isso está certo mesmo?"
Por outro lado, sei que Jesus foi das pessoas mais iluminadas que passaram por aqui. O problema foi a forma como usurparam e usurpam sua palavra.
Além do mais, o post pouco tem a ver com religião. Não queria discutir as opções pessoais de ninguém, mas o tom raivoso dos comentários me fez questionar essas pessoas.
Ser chamado de "repórter" afagou meu ego; na verdade sequer concluí meu curso de comunicação na PUC e trabalho como professor de línguas estrangeiras.
Houve também quem duvidasse da veracidade das informações. Quanto a isso não posso garantir nada. Minha fonte principal foi um livro chamado "Conspirações", escrito por Edson Aran. Um tipo de míni-enciclopédia muito bem humorada com verbetes como: "Nazistas pilotavam ufos", "Elba Ramalho e os ovnis" e "Paul McCartney morreu em 1966". Portanto, apesar do relato sobre o Caso Jim Jones basear-se em fontes confiáveis, não levem a história tão a sério.
Mas lembrem-se de uma coisa: o fato de algo sair na Veja, na Folha, no Jornal Nacional, no Fantástico ou na CNN não o torna uma verdade absoluta. Desconfie de tudo. Inclusive deste blog, parafraseando o Aran.
Em momento algum comparei a seita de Jim Jones a qualquer tipo de crença. Acho que se ofenderam com o trecho: "assim como muita sensata hoje em dia embarca na barafunda dos televangelistas, na época muitos o levaram a sério". Vivemos tempos contraditórios, com inversão de valores e tudo que isso acarreta. Como é tudo muito confuso, abraçar um pacote de dogmas pré-estabelecidos e não questioná-los parece ser a solução mais fácil, ou mesmo mais sensata. Mas sempre há um preço (além do dízimo, he, he), cada escolha é uma renúncia, e no caso seria a adoção de uma mentalidade bitolada, intolerante, que carece de empatia. Que mal há em aceitar o Deus na concepção Kardecista, por exemplo? Se alguns se identificaram com seguidores fanáticos que gradualmente foram abrindo mão de suas escolhas até não terem nenhuma, não seria hora de fazerem um exame de consciência? Obviamente ninguém seguiria Jim Jones se soubesse que no fim seria obrigado a se matar. Mas, cá entre nós, a sua igreja às vezes não induz a certos procedimentos que uma vozinha lá no fundo da sua mente diz: "será que isso está certo mesmo?"
Por outro lado, sei que Jesus foi das pessoas mais iluminadas que passaram por aqui. O problema foi a forma como usurparam e usurpam sua palavra.
Além do mais, o post pouco tem a ver com religião. Não queria discutir as opções pessoais de ninguém, mas o tom raivoso dos comentários me fez questionar essas pessoas.
Ser chamado de "repórter" afagou meu ego; na verdade sequer concluí meu curso de comunicação na PUC e trabalho como professor de línguas estrangeiras.
Houve também quem duvidasse da veracidade das informações. Quanto a isso não posso garantir nada. Minha fonte principal foi um livro chamado "Conspirações", escrito por Edson Aran. Um tipo de míni-enciclopédia muito bem humorada com verbetes como: "Nazistas pilotavam ufos", "Elba Ramalho e os ovnis" e "Paul McCartney morreu em 1966". Portanto, apesar do relato sobre o Caso Jim Jones basear-se em fontes confiáveis, não levem a história tão a sério.
Mas lembrem-se de uma coisa: o fato de algo sair na Veja, na Folha, no Jornal Nacional, no Fantástico ou na CNN não o torna uma verdade absoluta. Desconfie de tudo. Inclusive deste blog, parafraseando o Aran.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Vai um doping aí?
Olimpíadas e tal. Um achado o Millôr citar um sambinha velho (de um sambista tão genial quanto esquecido, Assis Valente) para dar uma síntese da nossa participação nesse estranho ritual - brincadeiras infantis encaradas com seriedade doentia - que são os jogos: "Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor...". Ufanismos à parte, e vai com Deus, Galvão Bueno, um aspecto das Olimpíadas que me chamou mais atenção: o duelo entre os caçadores de doping e os atletas dopados. Uma corrida bem mais interessante que a disparada do não sei quem Bolt.
O Departamento de Defesa dos EUA tem uma Agência de Projetos Avançados que corre atrás do sonho do soldado sobre-humano. Um cara capaz de correr na velocidade do Bolt nos 100 ms por 15 minutos. Ou que permaneça em combate mesmo com feridas mortais. Eles querem um exterminador do presente. Os experimentos com camundongos, que tiveram sua estrutura genética modificada para terem musculatura de atleta, já mostram que, mesmo sedentários, os roedores apresentam 30% a mais de massa muscular que seus pares comuns. Quando entraram na malhação, seus membros dobraram de tamanho. A idéia seria ajudar pacientes com distrofia muscular. Mas já imagino os ratos de academia usando esse troço...

Mas, voltando aos esportes, o próprio COI reconhece que vai sempre estar um passo atrás em matéria de tecnologia de detecção de doping. Há sempre algo novo no mercado que ajude a mascarar os traços das drogas no organismo. A era dos esteróides e anabolizantes já se foi há muito, a trapaça agora se dá por meios genéticos. Um hormônio recém-descoberto, conhecido como EPO, integra-se ao código genético do atleta, tornando-se indetectável.
O que se vê então é uma atmosfera tipo inquisição espanhola. Atletas célebres das mais diferentes modalidades têm seus feitos frequentemente questionados, muitas vezes com razão. Andrei Markovits, professor de política comparativa da Universidade de Michigan, foi enfático: "O cara toma Viagra, antidepressivo, ansiolítico, remédio pra concentrar, pra desconcentrar... só o atleta não pode. E por quê? Devido ao ultrapassado ideal de amadorismo e virtude no esporte - conceitos desenvolvidos pela classe dominante inglesa de Oxford e Cambridge, no século XIX."
A solução para ele seria permitir que todo atleta adulto e sadio tivesse acesso a qualquer substância que julgasse útil, desde que tudo fosse feito através de médicos responsáveis. Não haveria mais esse véu sobre o doping. Ele só faz uma excessão quanto a atletas mais jovens.
Um outro figura vai além. O bicampeão olímpico de esqui alpino, Bode (?) Miller, vaticina: "Não é uma luta do bem contra o mal. Trata-se de igualdade de condições. Se pode tudo, ok. Senão pode nada, ok também. Mas a realidade é que os controles não resultam em igualdade. Quem quer se dopar e passar despercebido tem grandes chances de conseguir." Mandou bem.
Marion Jones perdeu as 5 medalhas amealhadas em Sidney em 2007, num dos casos mais vergonhosos da história olímpica. O embaraço aumentou quando descobriu-se que a segunda colocada em uma das provas também competiu dopada. O pódio tinha era que ficar vazio...
Entramos numa esfera mais ampla. A sociedade endossa a cultura do desempenho. Que seria da civilização ocidental pós-guerra se não fossem as drogas? E me refiro apenas às lícitas - com as ilícitas o papo é outro. Idosos e enfermos se mantêm vivos graças a elas. Se seus avós ou pais de repente ficaram mais felizes, quem sabe não tem o dedo do viagra aí? Quantos milhões de pessoas não recorrem a um lexotan senão não dormem? Então porque o Lance Armstrong não pode tomar umas bolinhas para subir os alpes numa bike mais rapidinho? Stallone só fez o Rocky Balboa aos 61 anos graças ao hormônio de crescimento, o HGH, que, segundo ele, em 10 anos será vendido em farmácias sem receita médica.
Além disso, se há drogas que estimulam o desempenho físico, há também aquelas que dão uma ligadinha nos neurônios. O campeão de poker Paul Phillips usa remédios contra narcolepsia e outro contra distúrbio de déficit de atenção; já ganhou US$2,3 milhões. Integrantes de orquestras tomam beta-bloqueadores, pilotos de avião têm seu aparato e qual estudante nunca tomou um rebite na véspera da prova?
Você, que é jornalista, professor, advogado, sei lá, tomaria uma droga prescrita por um médico que fosse capaz de torná-lo mais eficiente, mais produtivo, ou mesmo mais lúcido? Quem não compraria a pílula da memória?

Por outro lado, toda substância que ingerimos que de alguma forma altera nossas funções vitais não estaria nos afastando do que somos fundamentalmente, com qualidades e defeitos e todas as idiossincrasias? Os antigos não tinham vidas melhores que as nossas sem toda essa porcariada? Francamente, essa idéia, além de utópica, vai na contra-mão da história. Concordo que o arsenal de substâncias que os laboratórios colocam à nossa disposição é exagerado, inconsequente, muitas vezes supérfluo. Junto com os alimentos modificados que ingerimos e o ar poluído que respiramos, continuamos evoluindo, só que - do mesmo jeito que estamos fazendo com o planeta - numa velocidade muito mais rápida. Como serão nossos netos e bisnetos? Criaturas mais capazes, com vidas mais longas e proveitosas, graças às drogas? Ou se aproximariam de autômatos, supereficientes, mas desconectados de suas emoções? O eterno Deus Mu dança...
Obs: agradeço à Piauí de agosto, pelo menos meio post veio dela.
O Departamento de Defesa dos EUA tem uma Agência de Projetos Avançados que corre atrás do sonho do soldado sobre-humano. Um cara capaz de correr na velocidade do Bolt nos 100 ms por 15 minutos. Ou que permaneça em combate mesmo com feridas mortais. Eles querem um exterminador do presente. Os experimentos com camundongos, que tiveram sua estrutura genética modificada para terem musculatura de atleta, já mostram que, mesmo sedentários, os roedores apresentam 30% a mais de massa muscular que seus pares comuns. Quando entraram na malhação, seus membros dobraram de tamanho. A idéia seria ajudar pacientes com distrofia muscular. Mas já imagino os ratos de academia usando esse troço...

Mas, voltando aos esportes, o próprio COI reconhece que vai sempre estar um passo atrás em matéria de tecnologia de detecção de doping. Há sempre algo novo no mercado que ajude a mascarar os traços das drogas no organismo. A era dos esteróides e anabolizantes já se foi há muito, a trapaça agora se dá por meios genéticos. Um hormônio recém-descoberto, conhecido como EPO, integra-se ao código genético do atleta, tornando-se indetectável.
O que se vê então é uma atmosfera tipo inquisição espanhola. Atletas célebres das mais diferentes modalidades têm seus feitos frequentemente questionados, muitas vezes com razão. Andrei Markovits, professor de política comparativa da Universidade de Michigan, foi enfático: "O cara toma Viagra, antidepressivo, ansiolítico, remédio pra concentrar, pra desconcentrar... só o atleta não pode. E por quê? Devido ao ultrapassado ideal de amadorismo e virtude no esporte - conceitos desenvolvidos pela classe dominante inglesa de Oxford e Cambridge, no século XIX."
A solução para ele seria permitir que todo atleta adulto e sadio tivesse acesso a qualquer substância que julgasse útil, desde que tudo fosse feito através de médicos responsáveis. Não haveria mais esse véu sobre o doping. Ele só faz uma excessão quanto a atletas mais jovens.
Um outro figura vai além. O bicampeão olímpico de esqui alpino, Bode (?) Miller, vaticina: "Não é uma luta do bem contra o mal. Trata-se de igualdade de condições. Se pode tudo, ok. Senão pode nada, ok também. Mas a realidade é que os controles não resultam em igualdade. Quem quer se dopar e passar despercebido tem grandes chances de conseguir." Mandou bem.
Marion Jones perdeu as 5 medalhas amealhadas em Sidney em 2007, num dos casos mais vergonhosos da história olímpica. O embaraço aumentou quando descobriu-se que a segunda colocada em uma das provas também competiu dopada. O pódio tinha era que ficar vazio... Entramos numa esfera mais ampla. A sociedade endossa a cultura do desempenho. Que seria da civilização ocidental pós-guerra se não fossem as drogas? E me refiro apenas às lícitas - com as ilícitas o papo é outro. Idosos e enfermos se mantêm vivos graças a elas. Se seus avós ou pais de repente ficaram mais felizes, quem sabe não tem o dedo do viagra aí? Quantos milhões de pessoas não recorrem a um lexotan senão não dormem? Então porque o Lance Armstrong não pode tomar umas bolinhas para subir os alpes numa bike mais rapidinho? Stallone só fez o Rocky Balboa aos 61 anos graças ao hormônio de crescimento, o HGH, que, segundo ele, em 10 anos será vendido em farmácias sem receita médica.
Além disso, se há drogas que estimulam o desempenho físico, há também aquelas que dão uma ligadinha nos neurônios. O campeão de poker Paul Phillips usa remédios contra narcolepsia e outro contra distúrbio de déficit de atenção; já ganhou US$2,3 milhões. Integrantes de orquestras tomam beta-bloqueadores, pilotos de avião têm seu aparato e qual estudante nunca tomou um rebite na véspera da prova?
Você, que é jornalista, professor, advogado, sei lá, tomaria uma droga prescrita por um médico que fosse capaz de torná-lo mais eficiente, mais produtivo, ou mesmo mais lúcido? Quem não compraria a pílula da memória?

Por outro lado, toda substância que ingerimos que de alguma forma altera nossas funções vitais não estaria nos afastando do que somos fundamentalmente, com qualidades e defeitos e todas as idiossincrasias? Os antigos não tinham vidas melhores que as nossas sem toda essa porcariada? Francamente, essa idéia, além de utópica, vai na contra-mão da história. Concordo que o arsenal de substâncias que os laboratórios colocam à nossa disposição é exagerado, inconsequente, muitas vezes supérfluo. Junto com os alimentos modificados que ingerimos e o ar poluído que respiramos, continuamos evoluindo, só que - do mesmo jeito que estamos fazendo com o planeta - numa velocidade muito mais rápida. Como serão nossos netos e bisnetos? Criaturas mais capazes, com vidas mais longas e proveitosas, graças às drogas? Ou se aproximariam de autômatos, supereficientes, mas desconectados de suas emoções? O eterno Deus Mu dança...
Obs: agradeço à Piauí de agosto, pelo menos meio post veio dela.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Dandelion
Quando sua segunda filha nasceu, Keith Richards batizou-a "Dandelion". Ela mudou seu nome assim que pôde para "Angela"Prince or pauper, beggar man or thief
Play the game with every flower you bring
Dandelion don't tell no lies
Dandelion will make you wise
Tell me if she laughs or cries
Blow away dandelion
One o'clock, two o'clock three o'clock, four o'clock chimes
Dandelions don't care about the time
Dandelion don't tell no lies
Dandelion will make you wise
Tell me if she laughs or cries
Blow away dandelion, blow away dandelion
Though you're older now it's just the same
You can play this dandelion game
When you're finished with your childlke prayers
Well, you know you should wear it
Tinker, tailor, soldier, sailors lives
Rich man, poor man, beautiful, daughters wives
Dandelion don't tell no lies
Dandelion will make you wise
Tell me if she laughs or cries
Blow away dandelion, blow away dandelion
Little girls and boys come out to play
Bring your dandelions to blow away
Dandelion don't tell no lies
Dandelion will make you wise
Tell me if she laughs or cries
Blow away dandelion, blow away dandelion
Assinar:
Postagens (Atom)

