segunda-feira, 26 de junho de 2006

O que faz alguém tornar-se dependente químico? A resposta (?)

Atenção: leia o texto anterior, depois leia este.

Muito bem, o tal Bruce K. Alexander não acha que a drogadição é um fenômeno psicofisiológico, e para provar isso elaborou uma teoria que gerou desprezo e mesmo escárnio entre seus colegas. Tudo começou com a criação do "Rat Park" em 1981. Com 18 metros quadrados, tratava-se de uma espécie de resort 5 estrelas para ratos de laboratório. Seu objetivo era tentar provar a hipótese de Bruce de que a drogadição é um mito e que o uso continuado de drogas, sobretudo heroína, deve-se muito mais à infelicidade do adicto do que a uma compulsão neurofisiológica. Ele acreditava que o fato de os ratos tornarem-se dependentes de morfina nos exames de laboratório devia-se às péssimas condições que as cobaias eram mantidas, e não às características aditivas da droga. Enjaulados em gaiolas e sujeitos a agressivas intervenções dos cientistas, os ratos levavam vidas horríveis, totalmente diferente das vidas que teriam se fossem livres. "Ratos submetidos a altos graus de stress, assim como pessoas estressadas e com vidas insatisfatórias, reagem da mesma forma: aliviam-se fazendo uso de substâncias farmacológicas", foi mais ou menos o que ele disse.

Em um ambiente mais agradável, os ratos não iam recorrer à morfina. Nas experiências normais, coloca-se um botão na gaiola da cobaia e cada vez que ele é pressionado, o rato recebe uma dose de morfina (que é transformada em heroína internamente). Todos os experimentos têm o mesmo triste desfecho: aos poucos ele vai abandonando todas suas atividades até ficar apenas pressionando o botão até morrer.

No "Rat Park", colocaram dois botões: um para água e outro para morfina. Os ratos não deram muita bola prá morfina, preferiam correr, brincar, fazer sexo etc. Mesmo ratos totalmente dependentes de morfina, quando transferidos para o Rat Park gradualmente abandonavam o uso. No experimento mais importante, Bruce colocou 16 ratos nas gaiolas e 16 no Rat Park. Todos tinham água pura à disposição e também morfina. A cada dia adicionava-se um pouco de açúcar na morfina, de modo crescente. Os engaiolados se viciaram quase instantaneamente, mesmo sem açúcar. Em Rat Park eles até experimentaram (um dado curioso: as fêmeas gostaram mais), mas nenhum ficou dependente. No final, os engaiolados ingeriram 16 vezes mais morfina que o outro grupo. Uma última tentativa para os "rat parkers" usarem morfina: adicionou-se açúcar à solução (morfina é amarga) e depois adicionou-se Naxalona (substância que impede a morfina de agir, mas mantém o gosto açucarado na água). Só assim os ratos voltaram a beber daquela água. Ou seja: eles queriam água com açúcar, mas desde que ela não interferisse em seu comportamento.

Estudos posteriores confirmaram os resultados de Bruce. Mas os cientistas de "respeito", aqueles com autoridade para influenciar os poderosos, desaprovaram seu trabalho, dizendo que o experimento tinha "falhas metodológicas".

Que merda. Um malefício cujo funcionamento pouco conhecemos, que afeta toda a Humanidade, sem distinção de renda ou cultura, e quando aparece alguém com uma velinha para iluminar este quarto escuro dos humanos, os babacas sopram e ela se apaga. Que merda.

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5 comentários:

Let disse...

Se o outro post era polêmico, imagine este?? rss

Não sei o que dizer. Realmente deve-se rever a metodologia do trabalho desse psicólogo. Não acho que seja tão simples de resolver o problema das drogas como foi colocado na experiência com os ratinhos. Pelo menos na prática e com humanos não é o que ocorre, talvez pela maior complexidade do cérebro humano, pelas relações psicossociais etc. Acho que deve-se misturar o conhecimento do mecanismo de recompensa e a experiência feita com esses ratinhos. Seria o ideal. :-)

Adorei

Darwin disse...

Sem pensar muito a respeito eu diria que com humanos é bem mais complexo. Se é necessário felicidade para afastar as drogas, então a coisa complica. O que faltou às estrelas do rock?(não sei nada a respeito, somente ouvi falar que muitos morreram em meio a drogas). Talvez seja impossível a felicidade, e então as drogas serão sempre atraentes.

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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