terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Conhece o Cthulhu?

"The most merciful thing in the world, I think, is the inability of the human mind to correlate all its contents... some day the piecing together of dissociated knowledge will open up such terrifying vistas of reality, and of our frightful position therein, that we shall either go mad from the revelation or flee from the light into the peace and safety of a new dark age."
H.P. Lovecraft, no conto Call of Cthulhu

Tradução:

Uma das maiores bençãos do mundo, creio eu, é a incapacidade que tem a mente humana de correlacionar todos os seus conhecimentos... algum dia a concatenação de conhecimentos dissociados há de descortinar panoramas tão terrificantes da realidade e de nossa pavorosa posição nela que ou a revelação nos enlouquecerá ou fugiremos da luz fatal para a paz e segurança de uma nova Idade das Trevas.

Dilema

Ok, a epígrafe ficou boa. Estou em dúvida. Será que falo do Lovecraft, com seu estilo démodeé e algo repetitivo, originalmente escrito em inglês quase arcaico - e ele era americano - cheio de adjetivos e descrições? Ao contrário da citação, seus contos funcionam como quebra-cabeças onde ele fornece uma peça de cada vez, e vamos ligando uma à outra. Uma tática magnetizante, como em um vórtex, giramos, giramos, em direção ao centro, o último parágrafo da história, onde sempre uma realidade aterradora é revelada, algo tão inimaginavelmente perverso que nos suga para o fundo, nos afogamos em uma verdade que deveria manter-se ao largo de nosso conhecimento. E vamos correndo ler o conto seguinte.

Ou posso abordar um tema mais fácil (?). Mitos de criaturas humanóides aladas, presentes no folclore de várias culturas. O Mothman, o homem-mariposa da Virgínia, onde foi avistado por dezenas de moradores da cidadezinha de Point Pleasant nos anos 60. O filme A Última Profecia, adaptação do livro de um certo John Keel - que fez uma extensa pesquisa sobre os eventos e publicou a obra como não-ficção - narra a história com uma elegância que falta à maioria dos filmes de horror. Uma das hipóteses levantadas, bastante fantasiosa, afirma que essa criatura de fato existe e apesar de não especificar sua origem nem o que é o Mothman, diz que ele aparece nas vésperas de algum acontecimento trágico para alertar as pessoas do perigo. Na Virgínia as aparições cessaram depois que uma ponte caiu e matou dezenas de pessoas. O mesmo aconteceu em Chernobyl (extinta URSS) antes do desastre na usina nuclear nos anos 80. Também nos EUA há um mito semelhante, o Jersey Devil e na Inglaterra o mito de Spring-Heeled Jack. E eu tenho um livro desse Keel, Criaturas do tempo e e do espaço ou algo assim, mas não consegui achá-lo. Até que dá para escrever sem ele, mas vai empobrecer o post.

Em compensação, enquanto procurava o livro topei com Um Sussurro nas Trevas, coletânea de contos do Lovecraft. Achei isso bem significativo, com certeza o Mothman me mandou um sinal alertando para não falar sobre ele. Ou seria Azathoth, discípulo do Grande Cthulhu sutilmente sugerindo que fale dele (faço o sinal da cruz e olho apreensivo para a janela, lá fora as intimidantes trevas chuvosas)? Não sou esse lunático obcecado com ciências ocultas dos últimos posts, ou melhor, parte de mim é. Uma combinação de fatos - estou a pé, moro no meio do mato, chove sem parar, férias, sem grana - me impeliu para esse mundo que renega o cotidiano.

Teoria do espectador/leitor infeliz

Jacques Bergier, um francês bastante imaginativo, co-autor do fascinante, mas olvidado, O Despertar dos Mágicos, disse que "Talvez seja necessário que uma pessoa tenha sofrido muito para apreciar Lovecraft". Porque alguém se interessaria por um autor cujo pré-requisito para ser lido seja tão repulsivo? Quem sabe um desencanto da Humanidade consigo mesma ao constatar-se que caminhamos céleres para a auto-destruição. Lovecraft (1890-1937) não teve reconhecimento algum em vida, pelo contrário. Foi só no pós-guerra, especialmente nos últimos 30 ou 40 anos, que ele ganhou fama e tornou-se uma espécie de Tolkien sombrio, pois ambos criaram mitologias riquíssimas, só que O Senhor dos Anéis está para o mito de Cthulhu assim como a espingarda de chumbinho está para uma bazuca.

Os fãs de Lovecraft partiriam do pressuposto que a vida é dor e decepção e que, portanto, é inútil escrever romances realistas. Sabe-se onde está em relação à realidade e isso basta. Todas essas tentativas de capturar o real na ficção não passam de confirmações de algo que já aprendemos em nossas vivências. Ele nunca soube disso, mas acho que foi o primeiro metaleiro da História. Porque a trilha sonora de sua obra incluiria Black Sabbath, Iron Maiden e um ou outro Led Zeppelin.

Não concordo totalmente com esse pressuposto, mas tenho uma teoria que as pessoas felizes não se interessam muito por livros e filmes. Quem gosta de mergulhar na escuridão do cinema ou de se enfurnar em livrarias e bibliotecas está buscando realidades alternativas. Digam o que quiserem, o fato é que o acesso ao universo artístico é quase uma exclusividade de quem está meio de saco cheio com a vida.

Um cara esquisito

Lovecraft estava totalmente de saco cheio da vida enquanto seu coração bateu. Aos 18 anos teve um colapso nervoso e se refugiou em sua casa nos 10 anos seguintes. Algumas vezes passava dias sem sair do quarto, a mãe trazendo as refeições, a única pessoa com quem se comunicava. Seu pai havia ficado louco e morrera em um hospício quando Howard Phillips (o HP) tinha 8 anos. Nada despertava seu interesse, a não ser mexer no jardim ou brincar de trenzinho - estamos falando de um adulto.

Em uma carta a um amigo ele definiria esse período após a adolescência como "um inferno". Ele nutria um profundo desprezo pelas religiões, as aspirações humanas eram fúteis e sem utilidade, o universo todo produto do caos, o Homem apenas algo transitório, uma raça entre milhões, nada é sagrado, nada tem significado, bem, mal, ética e moralidade, Deus, tudo não passa de "ficções vitorianas", como afirmou em outra carta. O sentimento predominante no universo é o egoísmo.
Que visão lamentável, chega a ser masoquista. Ciente da condição miserável em que se colocou, disse também que "racionalizações tendem a minimizar o valor e a importância da vida e diminuir as chances de nos sentirmos felizes. A verdade leva à depressão, desespero em alguns casos até mesmo o suicídio". Em suma, a vida não tem sentido, mas a morte também não. É nesse ponto que Lovecraft começa a nos assustar. Não tem misericórdia com seus heróis, sua morte não significa nada, não há redenção. Indiferente a tudo isso, o universo caótico continua a expandir. Dessa indiferença, algo toma forma. O Grande Cthulhu desperta de seu sono.

Cthulhu chegou a ser indicado como candidato à presidência dos EUA

Você pode não conhecê-lo, mas Cthulhu te conhece

Afinal, o que é Cthulhu? Fiel à sua filosofia atéia e materialista, Lovecraft responde que é nada além de uma disposição de elétrons, como nós. Mas é possível, dada a incerta interação de forças cósmicas, que tenha habilidades e poderes que desconhecemos. De suas jornadas por mundos imponderáveis, Lovecraft não tem boas notícias. Por trás da cortina da realidade, algo basicamente vil se esconde, mas às vezes permite ser visto.

Como já disse, também é possível que haja outras dimensões, outras raças, outras entidades. O que nos leva a pensar que sejam seres simpáticos conosco? Nada sugere uma transgressão das leis universais onde predomina o egoísmo. Certamente esses seres nos observam da mesma forma que olhamos um formigueiro no quintal de casa. O que é mais provável, jogar álcool e tacar fogo nas formigas para nos prevenirmos de elas nos incomodarem ou tentarmos ajudá-las levando comida e propiciando abrigo da chuva?

E se você se tornar um leitor de Lovecraft essa vai ser a sua concepção do universo, onde o medo é disposto em círculos concêntricos, camada por camada, até revelar o inominável, um lugar onde fatalmente seremos pulverizados e devorados. Quem trocaria sua própria visão de mundo, pautada pela existência de um Deus todo-poderoso, justo e bondoso por essas idéias assustadoras? Por incrível que pareça, cada vez mais gente. Se ele estivesse vivo, diria que o boom espiritual que vivemos agora, com igrejas evangélicas crescendo como cogumelos, assim como adeptos do islamismo e outras crenças, é mais um sinal que Cthulhu nunca esteve tão próximo. Em vez do Diabo, cuja figura se humanizou após séculos de convivência, os fãs de Lovecraft preferem temer Nyarlathotep, mais frio, mais mau, menos humano.

Creio que sua popularidade está sendo subestimada. Desde que Jacques Bergier o apresentou aos franceses, há pelo menos 15 escritores que se dedicam a explorar a mitologia que criou para escreverem novas histórias, tendo o cuidado de preservar o estilo, a ambientação, os personagens. Em uma época onde valoriza-se a originalidade, o fenômeno Lovecraft foi o precursor das fan fictions, histórias que homenageiam best sellers como Harry Potter, mas esse é um livro juvenil e inofensivo. A misantropia de Lovecraft é muito mais perigosa porque lida com nossas crenças mais arraigadas, seus mitos criaram um culto ao niilismo ou mesmo a um cristianismo às avessas, com seus valores totalmente subvertidos.

Contra o Mundo, Contra a Vida

Lovecraft admirava Conan Doyle por ter criado um personagem tão popular que ao morrer os protestos foram tantos que teve que ressuscitá-lo. O criador foi obscurecido pela criatura. No entanto, ele nunca imaginaria que fosse conquistar o êxito que tem hoje, na verdade ele achava que seu trabalho iria desaparecer junto com ele após sua morte. Lovecraft não se achava genial, pelo contrário, era humilde, nenhuma carta de admiradores que recebia ficava sem resposta. Por outro lado, seu caráter tinha tantos traços politicamente incorretos que sua fama atual é ainda mais surpreendente. Como se pode ver em seus contos, era profundamente racista, via negros e asiáticos como "criaturas inferiores", mais animais que humanos. Reacionário, moralista, puritano, considerava o erotismo uma aberração. Desprezava o dinheiro, achava a democracia uma idiotice e o progresso uma ilusão. Apesar de desprezar a Humanidade, era cortês e generoso com os amigos, e graças a eles sua obra não se perdeu.

Uma máquina de sonhos tenebrosos que exerce uma atração tão difícil de resistir quanto de ser explicada. Ele parece tocar aquela parte de nós que, ao ver um acidente na estrada, nos impele a parar apenas para assistir, uma curiosidade mórbida que vai contra as virtudes valorizadas por nossa cultura. Um dos poucos autores que ao ser relido conserva o mesmo impacto inicial. A importância de Lovecraft ultrapassa os limites da literatura: ajudou involuntariamente a renovar o mundo das ilustrações fantásticas e mesmo na música tem grande influência. Na internet a quantidade de sites e comunidades sobre ele é impressionante. Quem conhece sua obra vê que boa parte dos filmes de horror deve algo a ele. Foi, portanto, um homem à frente de seu tempo. O que mudou em nós ao longo de 80 anos para reabilitá-lo da casta de escritores desconhecidos para fenômeno da cultura pop? Estamos vendo uma tendência que vai se acentuar sobre nossa cultura? E isso vai ser benéfico? Ou quem sabe, como ele mesmo diria, estamos descortinando uma realidade terrificante que pode nos levar à loucura ou à fuga para a segurança de uma Idade das Trevas?


P.S. Feito esse convite à reflexão, permitam-me acrescentar que, em doses homeopáticas, Lovecraft não faz tão mal assim. Para quem gosta de Stephen King ou Dean Koontz, ou mesmo fãs de sci-fi, seus livros são absolutamente originais e bem superiores. Na próxima vou falar de algumas histórias, como a das lagostas espaciais ou da raça de gigantes que viveu na terra antes do Homem e escreveu o destino de cada um de nós ou ainda do despertar de Cthulhu, grande como uma ilha, causando maremotos e um frenesi em cultos pagãos que envolvem sacrifícios humanos. Como se vê, não é para qualquer estômago.

16 comentários:

Lidiane disse...

Bom, melhor nem me alongar.
Só você pra, em um mesmo post, falar de Lovecraft e o Despertar dos Mágicos.
Sobre Lovecraft, ainda sei pouco. Nunca me caiu nada significativo às mãos, mas evidente que *todo* mundo que já leu um pouquinho de qualquer coisa de ocultismo conhece Cthulhu.
Aliás, além de coisas bizarras, existem outras engraçadíssimas envolvendo isso. Prefiro, sempre, as engraçadas. :P
O Despertar dos Mágicos foi indicado pra mim há alguns anos, e evidente, varri sebos pra encontrar. E, encontrei em uma biblioteca. (!!!!!!)
Agora você imagina a minha cara de espanto quando achei? Nem dá, né?
Pra ser sincera, de todo o livro, foi o prefácio que mais me tocou.
Apesar de ter gostado muito e querer achar pra comprar.
Também não posso deixar de dizer que ontem, ao ser perguntada sobre meus medos, constatei que tenho muito, muito, muitooooooooooooooo medo do oculto em mim. E no mundo.
Por isso, me fascina muito e eu nego tanto.
Longaaaaaaaaa história. :P
E, se gostar de ler e de cinema é coisa pra infeliz... bom, onde está a carteirinha do clube?

Beijinhos, Rumble.
Pra você e pros bichinhos.

quevedo® disse...

voc~e escreve pra cthulhu ... quer dizer... chuchu!
muito grande o texto. pincei algumas coisas.

saudações.

euqueromorrerfeliz disse...

OI!!! Acho que este foi um dos seus melhores posts, muito bem escrito. Uma coisa que vc falou e eu concordo é sobre a insatisfação em relação ao mundo de quem procura uma distração na literatura e nos filmes. Não que eu esteja 100% de saco cheio do mundo, mas talvez uns 80%, quem sabe.
Esse negócio de fugir pra Idade das Trevas acho que já aconteceu comigo (se é que eu entendi direito o que se quis dizer com isso); teve uma época da minha vida, que passei a negar, para mim mesma, todo conhecimento humano, toda informação exterior (loucura, egoísmo, né?), meu lema de vida era "quanto mais ciência mais tristeza", eu li isso num livro da Bíblia, o mais pessimista de todos, na minha opinião, "Eclesiastes", que resumidamente prega que tudo debaixo do céu (nesta vida terrena aqui) é vaidade, é vão, inútil, é correr atrás do vento. Mudei um pouco, e mudando agora de assunto, já assisti ao Guia do Mochileiro..., tenho o livro tb, mas deste eu só li a introdução e o negócio sobre o autor... minha prima que tá lendo agora. Uma outra prima minha (cacofônico, né?) há tempos me chama para irmos à biblioteca pública (acho que é aquela na Praça da Liberdade), cê tem cadastro lá? Quando vc tiver com seu carro (eu li que vc tá sem; num outro post cê falou que bateu, tava distraído? ou a culpa não foi sua? intrometida eu, né? não precisa responder nem a esta nem a outra pergunta), a gente podia combinar tipo uma excursão pra lá, se vc se tiver a fim, é lógico.
O filme K-PAX (ãh?) eu não vi. Perguntei aqui em casa se tinham o livro do Capra, não têm.
Tava lendo o Dostoievsk e lembrei de vc; pelos seu posts dá pra perceber que vc acredita nessas coisas de outras dimensões, outros mundos. Tem um diálogo no Crime e Castigo que esse assunto é ligeiramente levantado. Outros tantos assuntos, nos diálogos do livro são tratados; e dá pra perceber que antigamente (o livro é de 1866) era comum se discutir assuntos interessantes nas conversas entre as pessoas. Vou postar sobre o livro e irei transcrever uns trechos, umas conversas, umas descrições, umas cenas que achei interessantes.
Quanto aos clássicos de que falávamos certa vez, acho que pelo menos pelo estilo que eles trazem vale a pena serem lidos; pelo menos aos obras menores desses autores mais rebuscados, os seu contos e tal (coisas mais breves). Acabei de descobrir aqui em casa um livro: Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, tem Machado de Assis, Clarisse Lispector, Caio Fernando Abreu, Hilda Hilst, Lima Barreto, João Ubaldo Ribeiro, Fernando Sabino, Rubem Fonseca, e por aí vai. Pra quem não tem paciência de ler um livro inteiro do Machado de Assis, como eu (li alguns trechos do Memórias Póstumas de Brás Cubas), pelo menos um ou outro continho dele vale a pena, né? Apesar de suas admoestações, um dia desses li algumas páginas do Mar Morto... o enredo realmente parece não ser muito interessante, mas o estilo da narrativa, meio poética, eu acho, agrada-me.
Mudando de novo de assunto...
O sistema é legislativo mesmo.

euqueromorrerfeliz disse...

No Brasil, os Estados e Municípios tb têm suas próprias leis. Mas certos assuntos, ou melhor, certas matérias, como por exemplo D. Penal, Civil, Processual, só podem ser legisladas pela União Federal (a não ser que esta, eventualmente, delegue aos Estados-Membros tais competências)

euqueromorrerfeliz disse...

Nos EUA, os Municípios e Estados podem legislar sobre tais matérias, né.
Por quê vc apagou um comment?

euqueromorrerfeliz disse...

ou não foi vc?

euqueromorrerfeliz disse...

Acabei de ler o conto que vc falou, simplesmente hilário!, sobretudo na parte em que eles vão pra tipo um bordel, né?, e ele entra pro quarto c/ a gorda de cabelo vermelho de cima e embaixo. Rolei de rir!!! O conto é bem um retrato do Brasil: deixam tudo pra última e hora e "fazem nas coxa". Deve ter sido assim mesmo c/ a ponte Rio-Niterói, todo mundo desesperado querendo que o negócio ficasse pronto até a inauguração daqui a pouco tempo. Há muitos anos vi uma reportagem que mostrava o quanto essa ponte estava deteriorada (mostraram uma imagem por debaixo dela impressionante!). O conto é da década de 70, mas de qdo é a construção da ponte Rio-Niterói?, década de 50? Nunca fui ao Rio, capital.
No segundo comment acima deste, eu coloquei um acento num "porquê" que não deveria existir. Eu sei daquelas regrinhas, mas sou um pouco distraída, às vezes. É esse tipo de bobeirinha que cai em prova de português de concurso; e como talvez eu tente outros, não posso ficar errando, senão qdo chegar a hora que eu preciso acertar, já era (a gente acostuma a falar e a escrever errado, mesmo sabendo que tá errado). Um erro muito frequente meu é utilizar um palavra parecida c/ a outra mas cujo sentido não tem absolutamente nada a ver c/ o pretendido (tô melhorando consultando muito o dicionário). Outra coisa tb que eu erro muito (antigamente era muito pior!) é qdo invento s/ querer umas palavras que simplesmente não existem!, qdo vou olhar no dicionário a palavra não tá ali, e geralmente eu já falei ou a escrevi (tipo qd vc mistura duas palavras, sabe? já aconteceu c/ vc???).

Eu nunca tinha ouvido falar desse escritor que vc tanto gosta e de que fala neste post, o Lovecraft. Acho que eu nunca li um livro totalmente de ficção-científica. Um negócio que cê falou neste post sobre a atávica, digamos assim, curiosidade do ser humano em relação às desgraças alheias (o negócio de olhar o acidente na estrada por simples curiosidade) é falado numa passagem do Crime e Castigo(depois eu vou postar).

Quanto ao estilo de música, acho que gosto de quase todos (eu sei que parece uma resposta meio evasiva, mas é verdade); no meu MP3 tem desde Beatles até r.a.p.; fui no emule baixar a versão original da American Pie. A Madonna gravou essa música, mas só um pedaço... essa mulher tá cada dia mais deprimente!, cada dia pior! deplorável...! não sei o que cê acha dela...

Eu já liguei pra minha prima Amanda (ela tb tá querendo ir naquela Campanha de Popularização do Teatro... cê já deve ter ouvido falar; todo ano tem). Um livro que eu tava a fim de pegar é o Notas do Subterrâneo, tb do Dostoievsk... tem umas cem páginas só (é o menor dele).

Tava assistindo a um programa, na tvsenado, eu acho, falando sobre internet, blogs... falando sobre o futuro da mídia, do jornal de papel etc...

Falou então... eu ligo pra vc qdo ela vir pra cá (ela tá morando c/ minha vó no B. Sagrada Família; é quase outra cidade tb). TCHAU!

euqueromorrerfeliz disse...

curiosidade inata seria melhor que atávica.

"(...)os inquilinos, que pareciam ter receio de Ekaterina, foram saindo aos poucos, levando no coração aquele vago sentimento de satisfação que ainda o homem mais compassivo não deixa de experimentar à vista da desgraça alheia". (trecho de Crime e Castigo; quando o marido da mulher citada está agonizando após ter sido esmagado por uma carruagem).

euqueromorrerfeliz disse...

Quem tirou a foto foi minha mãe, da janela da sala; arco-íris depois da "tempestade" veio bem a calhar pra aquele post. A tal Orchestra Ligth... ãh?, não conheço; é musica instrumental, né?

Lidiane disse...

Quase um post testamento.
Depois desse, acho que acabou meu repertório.

Beijo e tenha paciência pra ler meu blá blá blá.
Se cansar, faça pipoca e continue depois. :))

Oi, Rumble.

Como vão os bichitos?
Li o comentário que recomendou e acho bacana essa coincidência relacionada ao livro do Süskind.
Chamo também de sincronicidade. Soa tão Junguiano... Fica chique. Nhé! :P
Eu gosto do Jorge Amado, sabe? Gosto bastante. Talvez porque tenha começado a ler já adulta. Existem

fases na obra dele. Alguns livros chegam a ser deliciosamente hilários. E, surreais. Como é o caso de Dona

Flor. Outros, são recheados de uma cadência incomum, com cheiro de mar e sexo. Coisas da cidade da

Bahia, diria ele. Mas, sabe, Rumble, literatura, música e qualquer outro tipo de arte tem de ser apreciada com

sentimento. Daqueles que arrepiam e instigam.
Se não gosta de J.Amado e M. de Assis (outro com humor refinadíssimo) continue a fazer o certo.

Simplesmente leia o que aprecia. Sem culpa. Viver um livro é uma coisa deliciosa, mas tem de acontecer da forma mais natural possível.
Forçar a barra não adianta.
Às vezes, não é o momento certo. Outras, é o estilo que não agrada mesmo. E é isso aí. Que se dane quem critica.
Sobre os clássicos... risos, acho que não tenho jeito mesmo.
Leio tudo que posso. E acho que tenho me empenhado pouco ultimamente.
Talvez esse gosto pela literatura venha da minha personalidade solitária. E da genética. Saí ao meu pai.
Flores do Mal eu dei de presente em versão bilíngüe. Dói até hoje quando lembro disso. Queria pra mim.
*risos*
Tenho uma premissa: se todo mundo fala que é bom, desconfie. Por isso, ao invés de ir pelo gosto popular,

leio mesmo. Ou então vejo (isso também serve para filmes).
Quantas e quantas vezes achei que ia ler ou ver alguma coisa maravilhosa e fiquei no vácuo...
Sempre que me perguntam o que se deve ler, eu digo que se deve ler tudo. E tudo é tudo mesmo.
Como saber se um livro é bom sem conhecê-lo? Preconceito não dá.
Sou mais ou menos adepta a velha e batida teoria do degrau: se ler Harry Potter pode fazer um leitor tomar gosto pelos livros. Então, que ele leia. E depois, com maturidade, faça o seu filtro pessoal.
Coisas ruins já me fizeram bem em determinados momentos. Já li tanta bomba...
E existem livros que, todo mundo acha a coisa mais maravilhosa, culta e perfeita do universo e eu acho intragável.
Não há quem me faça gostar, por exemplo, de Cidadão Kane.
E, pergunto: o que faz de uma obra, ser arte? O que faz um clássico ser clássico?
Caímos naquela veeeeeelha história de W.Benjamin sobre "obra-de-arte".
Você também falou de Fernando Sabino. Pois então, eu adoro.
Três livros me marcaram: O encontro marcado, O grande mentecapto (nunca ri tanto) e O menino no

espelho. Esses livros povoaram minha infância e adolescência.
Douglas Adams, que você cita, já li. Recentemente, aliás. Tenho aqui O Guia do Mochileiro e o Restaurante.
Meu espanto foi descobrir outro dia, na biblioteca, um exemplar do Guia, com VINTE anos!
Taí, até gosto de ficção científica, mas não é o gênero que me faça suspirar. Com exceção de Asimov.
Os dois do Douglas que citei nem são meus. São resquícios de um amor que passou. Mas taí, aprendi sobre o

cara. risos. :) Preciso até devolver. É a parte chata.
Dostoievski também é rei. Bom para dias de introspecção. Ele era o escritor preferido do meu escritor preferido.
E tem gente que me acha louca por isso.
Que seja!
Legal saber que sua vó era russa. Dostoiévski, Gogol, Tostoi, Blavatsky e Nabokov são excelentes (e são

os únicos russos que conheço). Mas minha paixão mesmo são os latinos. Não tem jeito!
Mas estou lendo uma alemão. Demian, de Hesse. Já leu? É bem meu estilo. Não sei se o seu, mas, acho que sim. Tem coisas bem parecidas com os seus posts ocultistas-não-ocultistas.
Quantas linhas, já?
Umas mil?

Então agora vou ver Lost, porque enlatado, às vezes, faz um bem danado pra alma.

Beijos.

Lidiane disse...

Esse pessoal não dorme! :P
risos
Tá online, né? Insônia?
Acabei de ver seu comentário no Giramundo. :)

Lidiane disse...

Taí a resposta.
Rápida e comprida.

=============
Lá vamos nós pros comentários gigantes.
Sinceramente, estou tão isolada esses últimos dias que evito até sair. Férias de mentira.
Acho que é essa dissertação que não sai que me deixa assim.
TPM diária. Pode imaginar que bomba atômica eu virei?
Então, é bacana ficar conversando aqui. Obrigada pela gentileza do "gostar". Idem!

Incesto de gatinhos.
Lembrei do Laerte e dos gatinhos. Adoro e me divirto.
Melhorar pra eles tá? Olha, eu gosto de bichinho, mas gato é gato.
Sou apaixonada. Principalmente por vira-latas. E eles sabem. Tem um aqui perto que me vê e se enrosca todo. Coisa mais gostosa do mundo.

Não se preocupe em queimar o filme comigo. No final, todo mundo queima mesmo e eu queimarei o meu. Então, melhor nem se importar. O Código eu estou esperando outro período de férias pra ler. Não me atrai nadinha, mas *tenho* de ler. Se é fenômeno no mercado editorial, tenho de saber porque com os "meus próprios olhos". Por isso, li quase tudo de P.Coelho e tudo da Rowlings (do Harry Potter).
Tá valendo tudo.

Ó, a heresia agora é minha. O Guia do Mochileiro acho bacana, divertido e só. Li por causa do ex que adora. Mas gostei de ter lido os dois (Restaurante incluso), o 3 e 4 não li. Fica pra depois.

Olha, adoro emprestar livro, mas fico com o coração apertado quando o livro é importante pra mim. Tenho 3 de Castañeda emprestados há anos. Sabe aflição? Sinto aflição quando penso nisso. E tento desapegar. O chato é que os livros são difíceis pra caramba de achar.

Lost foi mais legal na primeira temporada. Na segunda ficou médio. A terceira tá ruim, mas o vício é uma droga (sem trocadilho).

Blavatsky me foi apresentada há alguns anos por um thelemita genial e muito gente boa (e com humor).
Coisa rara no mundo, aliás. :P
Li o que tive acesso. E não foi muito, infelizmente.

Olha, eu estou apaixonada por Demian, mas Harry, o Lobo é insuperável. Pequeno Mundo não conheço.
Você empresta? :P

Camisa xadrez? Agora você queimou mesmo o seu filme.
Dê graças que a madama levou. Tá muito mais bonito com sua calça cáqui e gravata de cavalo. :D

Você fez comunicação? Bacana! Que área?
Trabalha nisso? Que os deuses te protejam.
E como sabe que sou professora?
Bom, eu tou na área de adm e de mercadológica (em comunicação).
Adm por causa da minha especialização.
Mas prefiro a comunicação. Os alunos são bem mais legais e as aulas mais divertidas.

Acabei de ler Benjamin de novo. Minha orientadora é filósofa, então, já viu. Se bem que quem me indicou o livro que acabei de ler foi um outro professor que trabalha comigo (mas tb filósofo).
Acho Benjamin e Adorno "duros". Mas não tem jeito. Ou leio, ou leio.
Benjamin é até mais digerível. E Baudrillard muito chique.
Você é chique, hum?
Aliás, eu me divirto quando alguém abre a boca pra falar que Matrix foi baseado em obras do Baudrillard.
Quando eu pergunto qual e o porquê, ninguém sabe responder.
Diversão garantida ou o seu dinheiro de volta.
É a mesma coisa com os semióticos.
Pergunte pra alguém o que é semiótica. Se alguém responder, é porque é semiótico e decorou a resposta.
Do contrário, só de pós-doc pra cima.

Papo mais chato esse, né?
:P

Bão, um beijo e um pão de queijo. :P

Lidiane disse...

Só dá eu aqui.
:P

Rumble, ó, me dei conta que todo mundo pode ler seu comentário mais recente.
Me agrada ler todos eles. Tooooo much. Mas sei lá, não sei se você se importa em comentar sua vida pra todo mundo, assim, em público.
Então, fique a vontade, caso queira (caso queira), usar isso aqui: lidiane_britto@hotmail.com ou isso aqui lidiane_britto@yahoo.com.br

Não estou dizendo com isso que não gosto dos comentários. Ao contrário. Bem contrário mesmo.
Mas é no caso de um coment mais como aquele. Acho que entendeu.
Ou não?
risos
E, postei um Yerka. Há tempos já devia ter feito isso. O cara é bom!

Beijo pra você, pros cachorritos e pros gatos, especialmente para os remelentos bebês fofinhos.

P.S. Eu também adoro andar à noite. Mas não dá.
Volto do trabalho sempre depois da meia-noite e sempre vejo gente caminhando com cachorros.

Lidiane disse...

Respondendo você.

===============
Rumble.

Só rindo mesmo.
Como posso ficar chateada com o que disse?
Quando li aquele trecho do livro pela primeira vez, achei não apenas forte demais, comparando o homem a um verme, como jamais pensei em postá-lo.
É agressivo. E direto.
Mas pensei novamente. Por que não?
Por que ter tanto medo assim de ousar, se a ousadia é o que faz o mundo girar?
Vê? Entendi onde quer chegar. Chegamos juntos, acredito.
Sou a favor da liberdade. Plena, total e irrestrita.
O nazismo representou apenas uma das facetas de toda a podridão que hoje, acredito, é muito maior e mais velada.
É isso o que me incomoda, Rumble.
O silêncio.
O mundo assiste, agora, em silêncio, a aniquilação vingativa de um povo, que aliás, também briga entre si.
Isso não faz do homem um animal?
Isso não nos torna cúmplice?

Quanto a "destruir um mundo", recorro ao tarot, se me permitir.
O que significa a carta morte, senão renascimento?
Eu vivo lutando para destruir mundos que eu mesmo construí. Mundos que me tornaram prisioneira de mim mesma.
Um desses mundos me faz aceitar paradigmas que são contra a minha natureza, e que por viver em
sociedade, tenho medo em negar.
O que faz uma mariposa quando quebra o seu casulo, senão destruir um mundo?
O que fazemos nós, quando queremos mostrar para as outras pessoas que existem outras possibilidades além das que estamos acostumadas a "comprar"?
Estamos destruindo mundos pré-fabricados e tentando construir outros. Não de tijolo e argamassa, mas de liberdades e argumentos.
É isso que fazem os filósofos, destroem mundos e constroem idéias.

Sabe o que penso?
Que somos ainda (eu, você e todos nós) preconceituosos demais em relação a nós mesmos.
Em relação à nossa própria desconstrução.
E que temos medo. Medo como no poema do Drummond. "Medo da morte e medo do depois da morte".

Quando há alguns anos fui "brincar" de entender um pouquinho de cabala, me deparei com uma sentença: os véus da existência negativa".
Hoje, bem aos poucos, procuro transpor os véus.
Destruir o mundo velado e ver.
Ver. E não apenas enxergar.
Ver com os sentidos. Todos eles.
Juntos.
Ver o meu novo mundo de possibilidades escondidas.

Se Hesse era nazista?
Não creio.
O que ele me diz é que ter medo é dar o outro o direito de ter poder sobre nós.
Que no homem há dois lados. Assim como dizem os taoístas. Dois lados que não brigam, ou não deveriam
brigar. Mas dois lados que se completam. Dois lados que são um.
O Zohar não atribui a causa primeira do mal à separação?
Então... " o que está embaixo, é como o que está em cima".
Reconhece?
Assim, Abraxas é só mais um nome mitológico.
Como tantos outros.

Para mim, o mais importante neste momento é ter a força e a tranqüilidade para quebrar o ovo em que vivo e
fazer dos meus ideais as asas do pássaro que irei me transformar.
Alguns fazem isso com os símbolos. Outros, fazem transmutando o chumbo de uma alma
partida, no mais puro ouro metafísico.
Eu não sei como fazer.
Só sei que quero fazer.

Quanto ao post, deixo que você decida.
Que tal fazer uma surpresa?

Beijoca pra você e pros 10.
E bom soninho.

euqueromorrerfeliz disse...

Vc mudou o template do seu blog? Ficou legal!, deu a impressão de que ele tá mais organizado agora... Mandei um email pra vc!

Hank disse...

Faz muito tempo que não leio nada do Lovercraft.
Vou me lembrar disso na minha próxima visita aos sebos.
Cheers