segunda-feira, 6 de março de 2006

Damn good movie

Num outro post coloquei a receita de um cocktail. Faltava bolar um brinde bacana. Aí lembrei do filme Blow, (acho que em português é Profissão de Risco) história real de um maluco (Johnny Depp) que de vapor vira o maior traficante de drogas dos E.U.A. e protegido do Pablo Escobar. O filme é bacana porque não tem aquele moralismo tão comum em obras que abordam esse tema, mas também não faz apologia das drogas. Limita-se a acompanhar a vida do cara com seus altos e baixos; ascensão, glória e decadência. Ele acaba descobrindo tarde demais quais são as coisas que realmente importam... Ótimas músicas, edição competente e até a Penelope Cruz (que a meu ver é péssima atriz) está bem no papel de mulher dele. Ele está preso até hoje, mas isso não impediu que se tornasse uma celebridade, tendo até seu próprio site: www.georgejung.com/
E nesse site ele reproduz o brinde que fazia com o pai, que eu achei muito legal:

May the wind always be at your back
and the sun upon your face
and the winds of destiny carry you aloft
to dance with the stars
Cheers!

Não sou bom tradutor, mas é mais ou menos isso:

Que o vento esteja sempre nas suas costas
e o sol no seu rosto
e que as asas do destino te elevem
para dançar com as estrelas

Num outro post (movie quotes 4) há um desabafo dele, triste, mas pungente e verdadeiro. Grande filme!

Muito talento, pouco reconhecimento - Parte 3



Steve Buscemi: esse cara é uma lenda viva. Feio que só ele, começou a carreira de ator em 1984 e já tomou parte em quase 90 filmes. Versátil, também já foi produtor, diretor e roteirista. Atuou por uma temporadada e dirigiu 3 episódios na excepcional série Família Soprano, da HBO. Cool ao extremo, tornou-se um ícone do cinema independente até ser engolido pela indústria cinematográfica ao trabalhar em bombas como Armageddon, Con Air, Fuga de Los Angeles (mais uma mancada do competente John Carpenter) e Spy Kids 2 e 3. Por outro lado, saca só a lista de filmes bacanas que contaram com sua presença: Mistery Train, Dead Man e Coffee and Cigarettes 2 (do também ultracool Jim Jarmusch), O Rei de Nova York (policial dirigido pelo junkie Abel Ferrara e com o Christopher Walken), Peixe Grande (do inimitável Tim Burton), Coisas para se Fazer em Denver quando Você Está Morto (adoro esse filme), The Laramie Project ("falso documentário" sobre crime real no interior dos E.U.A.), Ghost World, (simples e ótimo, tem também no elenco Thora Birch – de Beleza Americana - e Scarlet Johanson – de Encontros e Desencontros – e que aqui no Brasil ganhou o estúpido nome de “Mundo Cão”) entre outros. Sabe escolher seus amigos: atuou em vários filmes dos meus ídolos irmãos Cohen - Ajuste Final, Barton Fink, A Roda da Fortuna, Fargo e O Grande Lebowski, todos esses altamente recomendados - e também do Tarantino - Cães de Aluguel e Pulp Fiction. Em suma: nos filmes mais divertidos dos últimos 20 anos (que não são muitos, acho que de forma geral o cinema entrou numa crise depois dos anos 70 e o padrão de qualidade despencou, os executivos dos estúdios acham que efeito especial substitui o talento) sempre tem Steve Buscemi.

Nota: uma coisa que esqueci de mencionar é que os filmes, atores e diretores em negrito têm a minha aprovação. Não me responsabilizo pelos que não estão em negrito.

Movie Quotes - Parte 4


-Nothing is worse than having an itch you can never scratch. (Blade Runner)

-I don't believe in God, but if I did, he would be a black, left-handed guitarist. (The Dreamers)

- Michael Moore: Do you know that on the day of the Columbine massacre, the US dropped more bombs on Kosovo than any other day?
Marilyn Manson: I do know that, and I think that's really ironic, that nobody said 'well maybe the President had an influence on this violent behavior' Because that's not the way the media wants to take it and spin it, and turn it into fear, because then you're watching television, you're watching the news, you're being pumped full of fear, there's floods, there's AIDS, there's murder, cut to commercial, buy the Acura, buy the Colgate, if you have bad breath they're not going to talk to you, if you have pimples, the girl's not going to fuck you, and it's just this campaign of fear, and consumption, and that's what I think it's all based on, the whole idea of 'keep everyone afraid, and they'll consume.' (Bowling for Columbine)

- So in the end, was it worth it? Jesus Christ. How irreparably changed my life has become. It's always the last days of summer and I've been left out in the cold with no door to get back in. I'll grant you I've had more than my share of poignant moments. Life passes most people by when they're busy making grand plans for it. Throughout my lifetime I've left pieces of my heart here and there. And now, there's almost barely enough to stay alive. But I force a smile, knowing that my ambition far exceeded my talent. There are no more white horses or pretty ladies at my door (Blow)


Grandes Enigmas da Humanidade - Parte 2

"Menina está grávida de 8 meses mas continua virgem". Agora quero ver todo mundo de joelhos reverenciando a volta da Virgem Maria. E dentro de um mês teremos o retorno do Messias. Aleluia!

Mais imagens lôcas



Muito talento, pouco reconhecimento - Parte 2


Christina Ricci: ainda hoje conserva os mesmos traços da sombria garotinha da Familia Adams. Tem uma beleza toda particular, talvez inadequada para os padrões estéticos quase nazistas de Hollywood. Pode ser que isso justifique os rumores de que se tornou bulímica - de fato ela emagreceu muito. Toma cuidado na escolha de seus papéis, o que resultou numa carreira repleta de filmes interessantes: Buffalo 66 (produção independente, bem original), Medo e delírio (do genial Terry Gilliam, retrata o jornalista Hunter S. thompson, que merece um post só prá ele), 200 cigarros, Geração Prozac, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (terror apenas mediano do Tim Burton), The Laramie Project (documentário, excelente), Miranda e Monster (este último foi um dos melhores filmes que vi produzidos recentemente)

Muito talento, pouco reconhecimento - Parte 1

No outro blog que eu tinha fiz uma lista comentada de atores que, apesar de extremamente talentosos, não têm seu trabalho justamente valorizado. Vou transcrever estes posts aos poucos e, felizmente, um desses atores vai sair da lista. Explico: acabei de assistir à cerimônia de entrega dos oscars. Coisas que gostei:

- O prêmio de melhor ator para Philip Seymour Hoffman - excelente ator que finalmente ganha o merecido reconhecimento, saindo, portanto, da minha lista. E olha que todos os outros concorrentes também mereciam a estatueta.

- O prêmio de melhor filme para "Crash"- que foi uma agradável surpresa. Nada contra o favorito "Brokeback Mountain", mas por lidar com o tema do racismo, "Crash" me conquistou.

- Rachel Weisz como melhor atriz coadjuvante para "O Jardineiro Fiel" - afinal, o diretor é brasileiro.


O que não gostei:

- Ang Lee levar o de melhor diretor ("Brokeback Mountain"). O diretor é o principal responsável pela qualidade do filme. Se o filme é considerado o melhor, obviamente o diretor também deveria. É incoerente, não faz sentido para mim.

- O prêmio de melhor atriz para Reese Witherspoon ("Walk the Line"). Não vou com a cara dela e ela fez "Legalmente Loura" 1 e 2! Torcia para Felicity Huffman (que trabalha na série "Desperate Housewives") que tem um papel bem mais difícil em "Transamerica" - um homem que quer mudar de sexo.

- "Paradise Now" não ganhar o prêmio de filme estrangeiro. Deve ser coisa de lobby de judeu em Hollywood. Detalhe: eu sou judeu

- O documentário sobre o escândalo da Enron perder para o filme fofinho dos pinguins ("A marcha do Imperador").



Mas o objetivo inicial deste post não é nada disso. Agora sim, vamos ao que interessa:

William H. Macy: esse já atuou em quase 80 produções, e uma ponta em A Era do Rádio (um Woody Allen bem simpático) foi um de seus primeiros trabalhos. Em geral é uma espécie de "loser" nos filmes, a personificação do fracasso na competitiva sociedade americana. Assim são seus papéis em Magnolia, Boogie Nights (não é coincidência esses filmes aparecerem de novo: o elenco deles é impecável) Fargo e na refilmagem de Psicose. Excelente ator, trabalhou também em As Coisas Mudam (elegante filme de mafiosos), Mera Coincidência (comédia política com Robert de Niro e Dustin Hoffman engraçadíssima e cada vez mais atual), Seabiscuit e The Cooler (este último é razoável) entre outros menos cotados.

domingo, 5 de março de 2006

Grandes Enigmas da Humanidade - Parte 1


Talvez você já tenha ouvido falar dele. Um mapa incrivelmente antigo que descreve uma região, que só foi explorada séculos depois, com inacreditável precisão. O Mapa de Piri Reis. Este era um almirante graduado da marinha turca que em 1513 desenhou uma carta geográfica que mostra a costa ocidental da África, a costa leste da América do Sul e a costa norte da Antártida. Este último continente está perfeitamente detalhado. O mais extraordinário de tudo não é o fato de Piri Reis ter desenhado um mapa tão acurado de uma região que só foi descoberta 300 anos mais tarde, mas de que o mapa mostra a costa sob o gelo. Evidências geológicas mostram que a área citada está coberta de gelo desde, pelo menos, 6000 anos atrás...
O próprio Piri Reis afirmou que seu mapa foi baseado em cartas ainda mais antigas, uma vez que ele tinha acesso ilimitado à Biblioteca Imperial de Constantinopla (atual Istanbul) ; seu papel foi o de somente compilar diferentes mapas que já existiam. Especula-se que essas cartas vieram da Biblioteca de Alexandria, destruída nos primeiros séculos da Era Cristã.
E não é só isso: o documento foi exaustivamente estudado pelas maiores autoridades em cartografia e arqueologia nos últimos anos, confirmando sua autenticidade e ainda revelando que mesmo a projeção usada era correta. Para se fazer um mapa com tamanha exatidão - mais exato que cartas elaboradas há menos de um século - seria necessário sobrevoar a Antártida. Aviões há 6000 anos atrás?
Que avançada civilização teria habitado nosso planeta num tempo tão remoto? A historiografia clássica sustenta que a primeira civilização, os sumérios, teria surgido na Mesopotâmia por volta de 4000 A.C. A carta subverte este conceito e prova o quão pouco sabemos sobre nossos ancestrais, isso é, se são mesmo nossos ancestrais. Poderia ser um povo diferente de nós. De fato, diferentes culturas das mais variadas regiões do planeta mencionam "gigantes" que antes habitaram a terra, inclusive os sumérios, que os tinham como deuses, chamando-os de "nefilim". Erich Von Daniken achava que esses deuses na verdade eram astronautas... Mesmo na Bíblia encontramos referências a esses seres, como na história de Davi e Golias. Há ainda teorias que dizem que o continente antártico se localizava bem mais ao norte, sendo assim menos frio, uma possível localização da mítica Atlântida. Mas são necessários milhões de anos para uma massa de terra de tais proporções deslocar-se tanto.
Enfim, tudo que sabemos é que nada sabemos. Um brinde aos Mistérios da Vida!



Sugestão de drink para brindar os Mistérios da Vida

B 52


ingredientes

- uma parte de licor de café
- uma parte de irish cream
-uma parte de triple sec (licor tipo Cointreau ou Grand Marnier) ou absinto

preparação

Num copo de sua preferência (dependendo do apetite etílico), sirva primeiro o licor de café, em seguida o irish cream e finalize com o triple sec. "Acenda" a bebida com um isqueiro e beba de uma vez, com canudinho.

Nota: Para entrar em contato mais íntimo com o Mistério, recomenda-se usar o autêntico absinto, a bebida mais forte que se pode comprar no Brasil, com 54% de teor alcoólico. Cheers!

Imagens bem lôcas



quinta-feira, 2 de março de 2006

Escute a luz, veja a música


No livro O Matador, da Patricia Melo (que virou o filme O Homem do Ano, com o Murilo Benício) o protagonista faz uma observação simples mas interessante sobre nossa existência. Ei-la:

"Enquanto caminhava e olhava para meus sapatos fodidos, eu pensava que a vida é uma coisa engraçada. Ela vai sozinha, como um rio, se você deixar. Você também pode botar um cabresto, fazer da vida o seu cavalo. A gente faz da vida o que quer. Cada um escolhe sua sina, cavalo ou rio." (Não por acaso escolheram este trecho para finalizar o filme).

E você resolve viver a vida, a sua vida, sujeito, ator, cavalo em vez de rio. E acha que isso vai bastar, que aquele momento em que você foi abençoado com um pensamento lúcido vai se prolongar indefinidamente, como um moto-perpétuo. Mas é claro que o tédio, as desilusões, o medo, o destino, o comodismo ou seja lá o quê sempre vêm, ameaçando com tempestades seu céu de brigadeiro. Com as tormentas a situação vira do avesso, o mundo parece se fechar novamente para você. Mas aí você se levanta e tenta fazer ou pensar outra coisa. Nem que seja escrever o que vier à cabeça no seu blog, prá ver se no papel a coisa faz sentido. A mudança de perspectiva, a admissão da fragilidade de sua própria vida e do seu bem-estar te faz mais humilde, mais incerto quanto às suas certezas, menos refratário. E se você permitir, mais uma vez acontece aquele insight, aquela idéia que te deixa emocionado. Pode acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar, como no meio de um engarrafamento ouvindo Neil Young no rádio. E quanto mais você pensa, mais se emociona e sente os olhos se encherem d´água, um nó na garganta e percebe tardiamente que sua voz está embargada, que se você continuar falando o quanto aquela melodia é sublime todos vão perceber que você está chorando. Como uma criança. Como alguém que não tem medo do que sente, mesmo que aquilo pareça paradoxalmente solitário e universal. E eu não sei quanto a você, mas essa melodia preciosa fica guardada na minha cabeça, adormecida no marasmo da rotina. Seu sono pode se estender por meses, anos, como se eu tivesse apertado a tecla mute. Mas eu tenho a impressão que se você seguir as pistas certas, se você seguir o caminho que o insight iluminou tão brevemente e segui-lo, a despeito das trevas, a melodia vai retornar, mais bela do que nunca, multiplicando seus canais, se enriquecendo. Som que ganha forma, luz que pode ser ouvida. Sinestesia.

Daí vem minha teoria. A música é parte inerente de cada um de nós, todos temos um "hino", um tema musical, algo que nos remete a momentos inesquecíveis, nos faz levantar e gritar e celebrar por nos sentirmos tão vivos. Mas como eu disse, a música pode ficar anos sem tocar na sua jukebox mental. Talvez as pessoas passem a vida inteira sem se darem conta que há uma sucessão de sons tão harmônica que as faria sonhar como nunca antes. Quando me envolvo num projeto, que nasce como uma idéia, para depois ir se concretizando aos poucos, não posso deixar de associar esse processo de crescimento a uma música. Cada passo é uma nota musical, e quando você termina tem muito mais que um trabalho bem feito: tem uma sinfonia tão bela quanto silenciosa. Mais que sonhar, a música pode te fazer levitar e te dar asas - mesmo sem tomar red bull.

Em algum lugar do universo as naves espaciais são movidas a ondas sonoras. Seu combustível é a música.

Escreva dizendo qual é o seu hino. Pode ser mais de um. Eu, por exemplo, entro em órbita quando escuto Cross-Eyed Mary do Jethro Tull, Whiter Shade of Pale, Nights in White Satin do Moody Blues, Eleanor Rigby (de preferência com o Ray Charles) e Mestre Jonas do Sá & Guarabira, entre muitas e muitas outras.