Acredite naqueles que buscam a verdade. Duvide dos que já a encontraram. André Gide
domingo, 20 de agosto de 2006
sexta-feira, 18 de agosto de 2006
A Realidade da Mente - Parte 4 - PNL
Programação Neurolinguística, estudo sobre como a mente é influenciada pela linguagem e como organizá-la para funcionar de uma determinada maneira. Uma área controversa, onde pululam charlatões com seus livros de auto-ajuda, que no fim das contas não deixa de ser o objetivo final dessa série de posts. Isso me faz ficar meio com um pé atrás quando traduzo as informações que obtenho no site.
A PNL trata sua mente como um aparelho de tv, onde você pode regular o brilho, o áudio, a intensidade das sensações que marcam as imagens que passam por nossas cabeças. Parece reducionista, mas muita gente séria e instruída bota a maior fé. Como foi dito em posts anteriores, corpo e mente se afetam mutuamente. Alterando seus estados mentais você altera sua fisiologia e vice-versa.
A memória e a imaginação nos transportam para outros tempos e lugares, com elas podemos reviver experiências passadas ou projetar eventos futuros. Acho que poucas pessoas têm consciência do poder que reside nessas habilidades. Temos a capacidade de mudar como percebemos e sentimos determinadas situações. Cada um de nós enxerga o mundo de uma forma diferente. O mundo é o território, a maneira como o percebemos é o mapa. Apesar de vivermos no mesmo mundo, meu mapa não é igual ao seu.
Somos governados por duas forças invisíveis, Estado e Modelo de visão do mundo. O Estado comanda nossas ações e comportamento no momento, o Modelo determina nossas escolhas a longo prazo e como armazenamos nossas experiências.
A PNL sustenta que podemos estar alinhados ou não com nosso "Eu Superior". Estando alinhado, você experimenta todos os Estados desejáveis como alegria, confiança, paz, liberdade, poder, satisfação etc. Sentimentos como raiva, tristeza, melancolia, insegurança, preocupação, medo, ansiedade, fraqueza, frustração resultam do desalinhamento com o Eu Superior. Mais do que isso, ela possibilita que você não fique refém desses sentimentos e passe a governá-los, em vez de eles te governarem. Acho que podemos estabelecer um paralelo entre o alinhamento com a pulsão de vida e desalinhamento com pulsão de morte, conceitos junguianos. Parece maravilhoso, mas na prática quem dera se fosse simples assim...
Os entusiastas da PNL argumentam que ao contrário de alguns modelos psicológicos, ela parte do pressuposto que as pessoas "funcionam" perfeitamente, têm dentro de si todos os recursos que precisam, e que se há problemas, eles não estão nelas, mas na forma como foram "programadas". Me remete ao exercício de Jane Elliott (clique no fim da página no mês de abril e procure o post "Jane Elliott também tem um sonho"). A PNL possibilita que você interfira em seus Estados, referenciais, memórias, modulando-os de acordo com sua vontade. Não importa o conteúdo da experiência e sim sua estrutura. Se reconhecermos a estrutura, podemos recriar a mágica. Uma experiência desagradável pode ser encarada como determinante em sua vida ou como parte de um processo de transformação. A escolha é sua.
Espírito é Consciência. Sua consciência define sua realidade, que por sua vez influencia o modo como você se sente.
A Auto-Imagem é o nível fundamental que determina todo o resto.
O Inconsciente trabalha duro para manter e proteger sua Auto-Imagem. Um molde que vai determinar seu comportamento. Portanto, se você se enxerga como alguém feliz e bem-sucedido, inconscientemente você será guiado e compelido para agir de forma a obter felicidade e sucesso. Confesso que eu mesmo tenho dificuldade com isso, esses caras bem-sucedidos, atléticos, com muitos amigos, bons empregos e sempre de bem com a vida me irritam profundamente.
Se você não acha que merece amor, sucesso ou abundância, você não vai correr os riscos para alcançar essas metas. E mesmo se uma oportunidade surgir na sua frente, você se sabota, porque uma mudança positiva não vai combinar com uma auto-imagem empobrecida.
Portanto, é fundamental que suas crenças sobre si mesmo venham à tona.
P.S. Nossa, esse post ficou auto-ajuda demais da conta. Vou pôr umas imagens bem loucas para dar uma balanceada.
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
TC Parte 7 - Eris, Deusa do Caos
Só o amor constrói, mas se quiser a salvação, se eu fosse você não contava com Jesus. Acredita nessa história de Céu, Purgatório e Inferno? Se realmente existem, acho que os filmes americanos já os descreveram mais ou menos acuradamente. O Inferno é algo entre aquilo que vimos em Constantine e South Park - the Movie. O Céu já é mais difícil de definir, se ele existe acho que a maior parte de nós não passa muito tempo nele, acaba voltando à Terra encarnado em outro corpo. Como foi mostrado em O Céu Pode Esperar (a versão anos 70, com o Warren Beatty, nunca assista a refilmagem de uns anos atrás). Somente criaturas muito bem acabadas, como Hendrix, Jung, Timothy Leary e Buda devem ter conseguido estadia permanente lá em cima (imagina esses caras trocando umas idéias...). Já o Purgatório, como ele é uma espécie de empate, conceito que os americanos não assimilaram até hoje, não ganhou uma representação cinematográfica digna. Contudo, numa entrevista à Revista Bizz (a última, acho, fala sobre drogas na capa e vem com encarte sensacional sobre rock brasileiro nos 70´s, altamente recomendável), o subestimado Marcelo Nova dá a definição mais precisa do purgatório: um lugar onde você é obrigado a assistir a programação do SBT 24 horas por dia. Genial.
De toda forma, se existe um Deus na concepção das grandes religiões monoteístas, ele está se lixando prá nós. Ou nos punindo. Essa idéia de um Deus austero, punitivo, nunca entrou na minha cabeça. Jesus não descreveu seu Pai assim. Além do mais, acho a coisa mais arrogante do mundo considerar que temos a mesma aparência que Ele (leiam o post sobre a Religião do Flying Spaghetti Monster, escrevi há um ou dois meses). Em suma: as grandes religiões não são mais que ferramentas de dominação, serviram de pretexto para guerras horríveis e inúmeros atos de injustiça, portanto devem ser superadas, esquecidas. Isso sim, seria um grande salto para a Humanidade.
Por outro lado, a abolição do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo não ia resolver o problema, não é mesmo? Os ex-seguidores dessas religiões não iam se tornar ateus ou agnósticos e darem-se por satisfeitos. O fato é que todos temos um vazio interior que precisa ser preenchido, do contrário ficamos desorientados (já notaram como as palavras guardam, histórias, segredos? Orientar-se, ter o oriente como referência e paradoxalmente o Oriente permanece um mistério para nós, ocidentais), passamos a procurar Deus nos lugares mais absurdos, como no fundo de garrafas de bebida, no interior de carros importados ou nas partes íntimas de parceiros sexuais. Mas é tudo tão caótico e incoerente, não temos mais heróis nem modelos, as utopias estão mortas, as pessoas são julgadas não pelo que são, mas pelo que possuem e os valores não têm valor! O futuro mostra-se aterrador com a inexorável aniquilação do meio ambiente e suas catastróficas consequências, sem falar nas guerras, terrorismo, pobreza... cada época tem o Deus que merece. Qual seria o da nossa Era, o Pré-Armaggedon?

Na árvore geneálogica dos Deuses Gregos é a filha de Nyx (noite) e irmã de Hypnos (sono), Nêmesis (retribuição), Destino e Tânatos (morte). Trata-se de Eris, a Deusa do Caos, conhecida como Discórdia pelos Romanos. Ninguém comenta isso, mas foi ela a causadora da Guerra de Tróia, e não o Orlando Bloom. Eris tem os olhos saltados e a cabeça cheia de serpentes, e em geral é representada com um punhal na mão e uma tocha na outra. Para os adeptos do Movimento Discordialista - Operation Mindfuck, Projeto Luther Blisset, Sociedade Cacofônica - Eris é a verdadeira Deusa Suprema de um Universo caótico, onde a salvação é o nonsense, a desinformação, idéias absurdas e invenção de Teorias Conspiratórias. Vou me aprofundar no assunto dependendo do interesse que despertar Só o caos salva, vai por mim.
De toda forma, se existe um Deus na concepção das grandes religiões monoteístas, ele está se lixando prá nós. Ou nos punindo. Essa idéia de um Deus austero, punitivo, nunca entrou na minha cabeça. Jesus não descreveu seu Pai assim. Além do mais, acho a coisa mais arrogante do mundo considerar que temos a mesma aparência que Ele (leiam o post sobre a Religião do Flying Spaghetti Monster, escrevi há um ou dois meses). Em suma: as grandes religiões não são mais que ferramentas de dominação, serviram de pretexto para guerras horríveis e inúmeros atos de injustiça, portanto devem ser superadas, esquecidas. Isso sim, seria um grande salto para a Humanidade.
Por outro lado, a abolição do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo não ia resolver o problema, não é mesmo? Os ex-seguidores dessas religiões não iam se tornar ateus ou agnósticos e darem-se por satisfeitos. O fato é que todos temos um vazio interior que precisa ser preenchido, do contrário ficamos desorientados (já notaram como as palavras guardam, histórias, segredos? Orientar-se, ter o oriente como referência e paradoxalmente o Oriente permanece um mistério para nós, ocidentais), passamos a procurar Deus nos lugares mais absurdos, como no fundo de garrafas de bebida, no interior de carros importados ou nas partes íntimas de parceiros sexuais. Mas é tudo tão caótico e incoerente, não temos mais heróis nem modelos, as utopias estão mortas, as pessoas são julgadas não pelo que são, mas pelo que possuem e os valores não têm valor! O futuro mostra-se aterrador com a inexorável aniquilação do meio ambiente e suas catastróficas consequências, sem falar nas guerras, terrorismo, pobreza... cada época tem o Deus que merece. Qual seria o da nossa Era, o Pré-Armaggedon?

Na árvore geneálogica dos Deuses Gregos é a filha de Nyx (noite) e irmã de Hypnos (sono), Nêmesis (retribuição), Destino e Tânatos (morte). Trata-se de Eris, a Deusa do Caos, conhecida como Discórdia pelos Romanos. Ninguém comenta isso, mas foi ela a causadora da Guerra de Tróia, e não o Orlando Bloom. Eris tem os olhos saltados e a cabeça cheia de serpentes, e em geral é representada com um punhal na mão e uma tocha na outra. Para os adeptos do Movimento Discordialista - Operation Mindfuck, Projeto Luther Blisset, Sociedade Cacofônica - Eris é a verdadeira Deusa Suprema de um Universo caótico, onde a salvação é o nonsense, a desinformação, idéias absurdas e invenção de Teorias Conspiratórias. Vou me aprofundar no assunto dependendo do interesse que despertar Só o caos salva, vai por mim.
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
New template, lost links, lost links
Achava aquela template de fundo preto até legal, mas dificultava a leitura. Troquei por uma estilo letra gorda, perdi todos os links, perdi a paciência, a little push in the bush, the whole year inn, the hole you´re in, imagine me and you, I do, I think about you day and night, it´s only right, to think about the girl you love and hold her tight, so happy together, how is the weather. ALGUÉM SABE QUEM É MIKE YANAGITA?
Stillness in Velocity
Stillness in VelocityNão vi muita graça nesse desenho. Vou fazer uma animação com um plug in do photoshop e vou rasgar a camisa desse Vernon e pisar na camisa do Campeão do Mundo, destroçado, humilhado, rasgado, demolido. Tenho cara de gaúcho, pinta de gaúcho, roupa de gaúcho, mas não sou gaúcho.
MIKE YANAGITA é a chave, a síntese da Civilização Ocidental Pós-Moderna. Nós somos o Charlton Heston, ele é a Estátua da Liberdade e estamos no Planeta dos Macacos.
sexta-feira, 11 de agosto de 2006
A Realidade da Mente - Parte 3
Psicologia, o estudo da mente. Todo estudo científico sobre a Arte, criação da mente, pode ser chamado de psicologia. Pode ter outras definições, mas vai sempre ser psicologia."Uma compreensão fundamental da psique humana é a chave para a mágica bem-sucedida"
Robert Houdin(Pai da Mágica Moderna)
Um parêntese sobre essa figura. Nascido na França, em 1856 foi enviado à Argélia - colônia francesa - para conter uma rebelião árabe, impressionando-os com seus truques. Ele deixou que um árabe desse um tiro nele. A bala, em vez de matá-lo, foi encontrada em sua boca. A comoção foi tamanha que os árabes passaram a temê-lo, crendo que ele era capaz de fazer qualquer coisa.
A compreensão da psicologia não significa que você vai sempre usá-la. É apenas o primeiro passo, sendo o segundo ter consciência dela e saber usá-la. Ela lida com diferenças sutis que levam a grandes distinções.

Neurociência: ciência do cérebro, o aspecto físico da mente
Toda função da mente tem seu membro físico, o cérebro, para exercê-la. A mente é espiritual enquanto o cérebro é seu correspondente físico. Todo pensamento que temos causa uma reação nos neurônios correspondentes que enviam sinais através das sinapses resultando em atividade cerebral ou ações neuromusculares.
Portanto, quanto melhor estiver seu cérebro, melhor sua mente estará para funcionar na realidade física e vice versa. A mente, contudo, é superior. O nível físico da realidade sempre sujeita-se ao nível espiritual da realidade.
Toda desordem neurológica tem sua origem nas condições psicológicas. O problema com a psiquiatria é que ela tende a inverter a relação mente/cérebro.

Quando você acha que drogas são a solução, você não está lidando com a origem do problema, que em geral é de ordem psicoespiritual, e não puramente biológica. Elas apenas mascaram o que há de errado. A ocorrência de efeitos colaterais no uso de drogas psiquiátricas se deve à rejeição do corpo aos químicos ingeridos, mais do que isso, é uma tentativa de te conscientizar sobre seus problemas reais, da necessidade de encará-los e resolvê-los.
A compreensão da psicologia não significa que você vai sempre usá-la. É apenas o primeiro passo, sendo o segundo ter consciência dela e saber usá-la. Ela lida com diferenças sutis que levam a grandes distinções.

Neurociência: ciência do cérebro, o aspecto físico da mente
Toda função da mente tem seu membro físico, o cérebro, para exercê-la. A mente é espiritual enquanto o cérebro é seu correspondente físico. Todo pensamento que temos causa uma reação nos neurônios correspondentes que enviam sinais através das sinapses resultando em atividade cerebral ou ações neuromusculares.
Portanto, quanto melhor estiver seu cérebro, melhor sua mente estará para funcionar na realidade física e vice versa. A mente, contudo, é superior. O nível físico da realidade sempre sujeita-se ao nível espiritual da realidade.
Toda desordem neurológica tem sua origem nas condições psicológicas. O problema com a psiquiatria é que ela tende a inverter a relação mente/cérebro.

Quando você acha que drogas são a solução, você não está lidando com a origem do problema, que em geral é de ordem psicoespiritual, e não puramente biológica. Elas apenas mascaram o que há de errado. A ocorrência de efeitos colaterais no uso de drogas psiquiátricas se deve à rejeição do corpo aos químicos ingeridos, mais do que isso, é uma tentativa de te conscientizar sobre seus problemas reais, da necessidade de encará-los e resolvê-los.
terça-feira, 8 de agosto de 2006
Relatório Alien sobre a Vida no Planeta Terra
"Chamando Base de Comando, chamando Base de Comando... aqui missão Sfot Poc, enviando relatório sobre a Vida no Planeta Terra. A Raça Dominante desse corpo celeste são seres feitos de ligas metálicas, locomovem-se sobre arcos negros pressurizados, alimentam-se de um derivado de petróleo, evacuam gases tóxicos e têm uns parasitas chamados humanos, que, apesar de procriarem como loucos, já parecem ter aceitado sua condição inferior e se submeteram à Raça Dominante. Civilização auto-destrutiva, recomendamos manter distância. Fim de Relatório."
Leiam
Acho que já faz um bom tempo desde que não escrevo um post estilo "redação" ou "ensaio" para os metidos a bacana. Um texto de Alcione Araújo na Folha de uns dias atrás foi como uma agulha que me espetou, como que dizendo: isso é uma preciosidade, um relatório de um cara que enxerga sobre uma terra de cegos, você tem que passar isso adiante.
Eu podia simplesmente copiar o texto, mas algumas experiências individuais me levaram a repassar as elucubrações de Araújo com algumas observações minhas. Vamos começar com algumas estatísticas: são 186 milhões de brasileiros dos quais nada menos que 55 estão relacionados de alguma forma à educação - são professores e estudantes de todos os níveis.
Alguém discorda que educação e cultura deviam andar de braços dados, que a existência de um depende do outro? Examinando os números da cultura começamos a vislumbrar o abismo que afasta esses dois universos no Brasil. A tiragem média de um livro é de 3.000 exemplares, a ocupação média das salas de teatro é de 18%, em matéria de música, as gravadoras têm números vexatórios - também, cobrando em dólar quem ganha em reais... - e a média de expectadores nos cinemas gira em torno de 250.000 - em 2006 são 180.000 até agora.
Nas sábias palavras do autor:
"O país vive esquizofrênica fratura: uma educação sem cultura e uma criação artística sem público. A economia pode até crescer, mas cresce sem alma".
Ia continuar com minhas próprias palavras, mas é claro que Araújo diz a mesma coisa de forma bem mais elaborada e sucinta:
"Criação da subjetividade, de percepção subjetiva, as artes interagem com as demais metáforas - filosofia, antropologia, sociologia etc. - criadas pela sensibilidade e razão humanas para se entender, entender o mundo e se entender no mundo".
Exato. Contudo, o que se vê na realidade? Tive colegas na Faculdade de Comunicação ( o negrito é para destacar que serão nossos futuros jornalistas, publicitários, RPs...) que nunca tinham lido um livro inteiro na vida. No vestibular usaram aqueles resumos infames das obras que iam cair na prova. Minha ex-mulher era professora de Direito, ensinava Sociologia, pro primeiro ou segundo período e Teoria do Processo mais pro final do curso. Os alunos achavam Sociologia pura perda de tempo, pois aparentemente o que se ensinava nessa disciplina não ia ajudá-los a encher o bolso de dinheiro como advogados. E falavam com ela coisas como: "não vejo a hora de ter aula de novo com você, de uma matéria que não é esse lixo inútil", achando-se muito espertos...Vivemos uma ditadura do pragmatismo, ninguém percebe - nem parece ter interesse em perceber - como tudo está correlacionado. Acho que quem não enxerga isso está condenado a repetir a história, incorrer nos mesmos erros - mesmo porque não sabe quais são eles.
Caramba, parei para assistir o Jornal da Globo: 40 ônibus incendiados só hoje em SP. O que isso tem a ver com o post? Bem, na nossa sociedade a educação não passa de uma ferramenta para se conseguir um emprego e comprar um Civic. Esquece-se que sua função também é de ampliar os horizontes. Mais uma vez, recorro ao autor:
"Nessa moldura, a missão da Universidade - a universalização do saber pelo tripé da formação do profissional, do cidadão e do homem - torna-se uma trajetória de adestramento para a produção".
É a cultura que forja o processo civilizatório, caminho que o Brasil tenta seguir, mas marcha erraticamente, tropeça, se perde. Sem uma identidade cultural própria, estamos fadados a ser uma eterna ex-colônia, que prima pela exclusão social e elitização de uma cultura, que, no fundo, não é nossa. Pode-se argumentar que temos uma arte popular, que prescinde da educação para existir, mas isso não é nenhum demérito. Mas há também a arte tradicional, aquela que dirige-se ao espírito. Antes da Ditadura, tentou-se estabelecer um diálogo entre elas, mas o projeto foi abortado. No imenso espaço entre essas duas formas de manifestação cultural, chega a poderosa Rede Globo, que passa a ditar a moda, os valores, comportamentos. Cultura industrial, que tenta se apossar do artista, mas acaba tornando-o mais um produto, pasteurizado, edulcorado. Quem fica à margem do esquema global, praticamente não tem voz, sua obra não chega ao público, o processo humanitário da arte se perde, o repertório da sociedade se empobrece.
Sem platéia não há dinheiro, sem dinheiro não há produção. Recorre-se então ao Estado e fica-se refém de um sistema pré-estabelecido, inibindo a ousadia. O artista tem então que nivelar-se ao nível do público, pobremente educado, para que tenha uma platéia. Educação não é só técnica, arte não é só um adorno. Vamos concluir com Araújo:
"Há uma dimensão humana, que, sem educação e cultura, nada agrega como experiência coletiva, nem alcança a plenitude como experiência individual, capaz de discernir e ser livre para escolher. E, sem isso, não podemos dizer que somos realmente humanos"
Eu podia simplesmente copiar o texto, mas algumas experiências individuais me levaram a repassar as elucubrações de Araújo com algumas observações minhas. Vamos começar com algumas estatísticas: são 186 milhões de brasileiros dos quais nada menos que 55 estão relacionados de alguma forma à educação - são professores e estudantes de todos os níveis.
Alguém discorda que educação e cultura deviam andar de braços dados, que a existência de um depende do outro? Examinando os números da cultura começamos a vislumbrar o abismo que afasta esses dois universos no Brasil. A tiragem média de um livro é de 3.000 exemplares, a ocupação média das salas de teatro é de 18%, em matéria de música, as gravadoras têm números vexatórios - também, cobrando em dólar quem ganha em reais... - e a média de expectadores nos cinemas gira em torno de 250.000 - em 2006 são 180.000 até agora.
Nas sábias palavras do autor:
"O país vive esquizofrênica fratura: uma educação sem cultura e uma criação artística sem público. A economia pode até crescer, mas cresce sem alma".
Ia continuar com minhas próprias palavras, mas é claro que Araújo diz a mesma coisa de forma bem mais elaborada e sucinta:
"Criação da subjetividade, de percepção subjetiva, as artes interagem com as demais metáforas - filosofia, antropologia, sociologia etc. - criadas pela sensibilidade e razão humanas para se entender, entender o mundo e se entender no mundo".
Exato. Contudo, o que se vê na realidade? Tive colegas na Faculdade de Comunicação ( o negrito é para destacar que serão nossos futuros jornalistas, publicitários, RPs...) que nunca tinham lido um livro inteiro na vida. No vestibular usaram aqueles resumos infames das obras que iam cair na prova. Minha ex-mulher era professora de Direito, ensinava Sociologia, pro primeiro ou segundo período e Teoria do Processo mais pro final do curso. Os alunos achavam Sociologia pura perda de tempo, pois aparentemente o que se ensinava nessa disciplina não ia ajudá-los a encher o bolso de dinheiro como advogados. E falavam com ela coisas como: "não vejo a hora de ter aula de novo com você, de uma matéria que não é esse lixo inútil", achando-se muito espertos...Vivemos uma ditadura do pragmatismo, ninguém percebe - nem parece ter interesse em perceber - como tudo está correlacionado. Acho que quem não enxerga isso está condenado a repetir a história, incorrer nos mesmos erros - mesmo porque não sabe quais são eles.
Caramba, parei para assistir o Jornal da Globo: 40 ônibus incendiados só hoje em SP. O que isso tem a ver com o post? Bem, na nossa sociedade a educação não passa de uma ferramenta para se conseguir um emprego e comprar um Civic. Esquece-se que sua função também é de ampliar os horizontes. Mais uma vez, recorro ao autor:
"Nessa moldura, a missão da Universidade - a universalização do saber pelo tripé da formação do profissional, do cidadão e do homem - torna-se uma trajetória de adestramento para a produção".
É a cultura que forja o processo civilizatório, caminho que o Brasil tenta seguir, mas marcha erraticamente, tropeça, se perde. Sem uma identidade cultural própria, estamos fadados a ser uma eterna ex-colônia, que prima pela exclusão social e elitização de uma cultura, que, no fundo, não é nossa. Pode-se argumentar que temos uma arte popular, que prescinde da educação para existir, mas isso não é nenhum demérito. Mas há também a arte tradicional, aquela que dirige-se ao espírito. Antes da Ditadura, tentou-se estabelecer um diálogo entre elas, mas o projeto foi abortado. No imenso espaço entre essas duas formas de manifestação cultural, chega a poderosa Rede Globo, que passa a ditar a moda, os valores, comportamentos. Cultura industrial, que tenta se apossar do artista, mas acaba tornando-o mais um produto, pasteurizado, edulcorado. Quem fica à margem do esquema global, praticamente não tem voz, sua obra não chega ao público, o processo humanitário da arte se perde, o repertório da sociedade se empobrece.
Sem platéia não há dinheiro, sem dinheiro não há produção. Recorre-se então ao Estado e fica-se refém de um sistema pré-estabelecido, inibindo a ousadia. O artista tem então que nivelar-se ao nível do público, pobremente educado, para que tenha uma platéia. Educação não é só técnica, arte não é só um adorno. Vamos concluir com Araújo:
"Há uma dimensão humana, que, sem educação e cultura, nada agrega como experiência coletiva, nem alcança a plenitude como experiência individual, capaz de discernir e ser livre para escolher. E, sem isso, não podemos dizer que somos realmente humanos"
sábado, 5 de agosto de 2006
Blog premiado, diferente de tudo que já viu
Não tenho tido muito tempo de prosseguir com meus posts habituais, mas me mostraram um blog que eu não podia deixar de passar o canal. Traz imagens de 100, 200, 300 anos atrás e é cheio de links igualmente fascinantes. Arte, Ciência, História, Ocultismo, até Publicidade e Cartuns podem ser encontrados.
http://bibliodyssey.blogspot.com/
Imagens bizarras, até meio macabras para nossos olhos acostumados com uma iconografia limpinha, asséptica. Temos que levar em conta que foram trabalhos produzidos em contextos muito diferentes do nosso, e é aí que reside todo o charme do blog. Examinem com tempo, é um mergulho em outras realidades. E os posts ainda podem ser traduzidos para o português.
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Imagens bizarras, até meio macabras para nossos olhos acostumados com uma iconografia limpinha, asséptica. Temos que levar em conta que foram trabalhos produzidos em contextos muito diferentes do nosso, e é aí que reside todo o charme do blog. Examinem com tempo, é um mergulho em outras realidades. E os posts ainda podem ser traduzidos para o português.
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