terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

As 3 Leis de Clarke

Arthur C. Clarke é um gênio da ficção-científica. Ele conseguiu sintetizar uma parte de seus brilhantes insights nas 3 leis que regem a relação do Homem com a Tecnologia:

  1. Quando um cientista distinto (renomado) e experiente (de mais idade) diz que algo é possível, ele está quase certamente certo. Quando ele diz que algo é impossível, ele está muito provavelmente errado.
  2. O único caminho para desvendar os limites do possível é aventurar-se além dele, através do impossível.
  3. Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica.
A terceira eu acho particularmente fascinante. Se um homem do Séc. XVIII pudesse observar a naturalidade com que lidamos com a tecnologia no cotidiano, ele diria que somos todos mágicos, de uma maneira ou de outra. Aí fico especulando sobre o que um homem do Séc. XXI consideraria mágica. Por exemplo, quais serão os desdobramentos da teoria recém-desenvolvida no campo da física quântica que diz que ciência e religião não são mais excludentes? Que a versão mais aceita do Big Bang está muito bem descrita na Bíblia? O que mais os mágicos da Antiguidade deixaram em seu legado e nós "esquecemos"?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

3 Citações

... e aqueles que foram vistos dançando foram julgados como loucos pelos que não conseguiam ouvir a música. Nietzche


Sua única obrigação na vida é ser fiel a si mesmo. Richard Bach

Não ande na minha frente porque posso não segui-lo
Não ande atrás de mim porque posso não liderar
Apenas ande do meu lado e seja meu amigo. Albert Camus

domingo, 7 de fevereiro de 2010

sábado, 16 de janeiro de 2010

Contatos Imediatos com o Marketing

Fui no cinema. Avatar em 3-D estava esgotado, então escolhi Contatos do 4to. Grau. Começa com um depoimento da atriz principal dizendo que os eventos a seguir são verídicos e que alguns trechos são vídeos autênticos gravados pela psicóloga Abby Tyler; sessões de hipnose em que seus pacientes relatam episódios de abdução alienígena. Criaturas com o semblante de corujas supostamente aterrorizam as madrugadas de dezenas de moradores de uma pequena cidade chamada Nome, no Alasca. Com a ajuda de um especialista, a Dra. Abby descobre que nas gravações os entes do além se comunicam em sumério, a língua mais antiga conhecida.

Bom demais para ser verdade. Como todo bom escapista, sou aficcionado por ocultismo, especialmente por histórias de OVNIs. Na internet não acho registro algum da psicóloga, descubro que os vídeos “reais” são encenações e que a distribuidora Columbia doou dinheiro para a cidade a fim de criar notícias e obituários fictícios. Uma espécie de versão ufológica de A Bruxa de Blair, puro marketing.

No meio de tantas mentiras, alguns fatos curiosos. A cidade onde o filme se passa tem um histórico impressionante de desaparecimentos e parece ser alvo da atenção do FBI, mas daí para concluirmos que há uma onda de abduções no local é um passo longo demais. Por outro lado, há quem diga que a ausência de informações sobre a Dra. Abby na internet é parte de uma operação de acobertamento por parte de agências governamentais obscuras. Concluindo: a única abdução comprovada é a da verdade. E jamais vamos saber o que houve em Nome.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Enfim, Banksy





No mínimo, instigante e provocativo. Eu acho genial. E tem muito mais. Aguardem

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Charles Bukowski - Poesia

If you're going to try, go all the way.
Otherwise don't even start.
This could mean losing girlfriends, wives, relatives, jobs.
And maybe your mind.
It could mean not eating for three or four days.
It could mean freezing on a park bench.
It could mean jail.
It could mean derision.
It could mean mockery, isolation.
Isolation is the gift.
All the others are a test of your endurance.
Of how much you really want to do it.
And you'll do it, despite rejection in the worst odds.
And it will be better than anything else you can imagine.
If you're going to try, go all the way.
There is no other feeling like that.
You will be alone with the gods.
And the nights will flame with fire.
You will ride life straight to perfect laughter.
It's the only good fight there is.


Se vai tentar, vai fundo.
Senão nem vale a pena começar.
Você pode perder esposa, namorada, parente, emprego.
E talvez a cabeça.
Pode ficar sem comer por 3 ou 4 dias.
Pode congelar num banco de praça.
Pode ir pra cadeia.
Pode virar chacota.
Pode virar escárnio, isolamento.
Isolamento é a dádiva.
Todo o resto é um teste de resistência
do quanto você realmente quer fazer.
E você vai fundo, apesar de todas as formas de rejeição.
E vai ser melhor que qualquer coisa que possa imaginar.
Se vai tentar, vai fundo.
Não há sentimento que se compare.
Você estará sozinho com os Deuses.
E as noites terão o brilho do fogo.
Vai cavalgar a vida com um sorriso impecável.
É a única luta que vale a pena.

Do filme "Factotum", com Matt Dillon fazendo o Bukowski. Tradução minha.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Do Além - Parte 1: O Navio Fantasma

Já escrevi vários posts "seriais", onde escolho um determinado assunto - como mitologia egípcia ou teorias conspiratórias - e faço uma decupagem, dividindo o tema em vários tópicos, um em cada post. Esta série vai abordar fenômenos inexplicáveis, e apesar do meu entusiasmo natural por essas coisas, vou tentar ser o mais cético possível. Isso significa que figuras do naipe de ET de Varginha, Mister M e imagens da Virgem Maria no misto quente passarão longe daqui. O título "Do Além" deriva de um conto do Mestre H.P. Lovecraft, o maior escritor de horror de todos os tempos, o Tolkien do mal. Mas vamos aos fatos.


Histórias de navios fantasmas sempre foram bastante populares, mas até hoje nunca tinha ouvido nenhuma que merecesse algum crédito. Foi pesquisando um tal "Livro dos Danados" que descobri o caso do Mary Celeste. Em 1872 esse navio mercante partiu de Nova York com um carregamento de álcool etílico; o destino seria Gênova, na Itália. Contudo, a tripulação formada por 7 marinheiros, mais o capitão, sua esposa e filha nunca chegaram lá. Eles simplesmente desapareceram da face da terra sem deixar vestígio algum. A embarcação Dei Gratia encontrou o Mary Celeste à deriva no meio do Oceano Atlântico. Uma abordagem preliminar eliminou a hipótese de um ataque pirata, pois tanto a carga quanto os objetos pessoais da tripulação estavam intocados. O navio tinha alguns equipamentos avariados, faltava um bote salva-vidas, mas nada que levasse a crer que tinha enfrentado uma tempestade forte o suficiente para obrigar todos os ocupantes a abandoná-lo. Não houve relatos de maremotos ou tsunamis na área onde foi encontrado. Ele havia deixado a América apenas um mês antes e havia água e suprimentos em abundância. Além disso, os marinheiros eram experientes, não havia sinal algum de violência a bordo, enfim, configurou-se um mistério insolúvel. Depois desse evento, o Mary Celeste provou ter um quê de maldito: teve 17 donos em 13 anos e acabou naufragando propositadamente na costa haitiana para seu último proprietário receber o seguro da carga. Mas a fraude foi descoberta, um final coerente com a má reputação do navio.

Há várias explicações para o ocorrido, mas como relatei acima, as mais prováveis não fazem sentido. Nunca saberemos o que houve com o capitão Briggs, sua família e os 7 marinheiros. Será que foram abduzidos? Ou penetraram numa outra dimensão do espaço-tempo? A resposta fica a seu encargo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Herói


A Família Soprano, além de ter sido uma das mais premiadas séries da história da tv, também notabilizou-se por retratar com muita humanidade a classe dos mafiosos. Personagens complexos, contraditórios, com sentimentos de culpa e fraqueza, apesar do cotidiano violento. Tony Soprano, o chefão de quem esperamos ter total desprezo pela vida humana, nervos de aço, brutalidade e pouco remorso, na verdade é um sujeito atormentado sob cuidados psiquiátricos. Tony sente que é um espécimen em extinção, dividido entre os papéis de pai, marido e gângster. Os códigos de conduta de sua organização mafiosa estão ficando obsoletos, não há mais respeito. Cada vez mais descrente, ele constata, atônito, que o arcabouço de valores da sociedade"normal", das pessoas que ganham a vida honestamente, também sofreu a mesma degeneração. Com um ar de desalento ele pergunta à sua psiquiatra o que aconteceu com aqueles caras tipo Gary Cooper, fortes, silenciosos, os heróis de uma época quando ainda havia ingenuidade e glamour suficientes para acreditarmos em heróis.

O crítico Antônio Cândido relata em uma entrevista que as gerações que o sucederam (ele é contemporâneo dos Modernistas de 22) carecem cada vez mais de grandes homens. Já houve épocas em que milhões morriam por um ideal. Os princípios eram maiores que as pessoas, românticos lutavam por utopias, a crença de que seus atos poderiam mudar não só você mesmo, mas exercer efeitos em grande escala. Você podia ser comunista, hippie, fascista, mas fazia parte de um grupo com o qual partilhava idéias, padrões de comportamento, sonhos, paixões.


Isso me remete a um dos primeiros posts que escrevi, citações em inglês de diálogos do filme Waking Life:

Temo que estejamos perdendo as verdadeiras virtudes de viver apaixonadamente, no sentido de ser responsável por quem você é, a habilidade de fazer algo de si mesmo e se sentir bem sobre a vida.


O que aconteceu com os modelos de comportamento? Examinadas pelas lentes papparazzi do pós-modernismo, não há personalidade que resista a um exame mais cuidadoso. Somos todos fracos demais, demasiado vítimas de nós mesmos. Reduzidos ao status de consumidores do mundo livre.

Assisti 3 filmes relativamente novos e cada um à sua maneira se relaciona com esse desencanto. Em Frost/Nixon temos um apresentador de tv pioneiro no fato de ser famoso apesar de não ter nenhum talento especial. Hoje há inúmeras pessoas que se tornaram celebridades porque aparecem na mídia, e uma boa aparência basta. O filme mostra um embate entre esse homem vazio e vaidoso e um ex-presidente cínico e imoral, mas incapaz de esconder a vergonha que sente por ter sido desmascarado. Prenúncio de tempos mais escandalosos, na época os políticos ainda se envergonhavam e o anônimo rosto bonito da tv ainda tinha ambições intelectuais concretas.

Michael Douglas deixa a barba crescer em O Rei da California. Convoca a filha para ajudá-lo a encontrar nos dias de hoje um tesouro enterrado há 400 anos numa terra apinhada de cadeias de lanchonete e shopping centers. Ele é louco, é claro. Mas o grande barato do filme é que a filha resolve acreditar em sua história, e nessa busca escapam para uma realidade onde podem transgredir sua sina decadente e encontrarem uma conexão através do sonho. Desse modo, são heróis. Perto do amor mútuo que resgatam, qualquer tesouro vale pouco.

No entanto, o que realmente me fascinou foi Conduta de Risco. Porque é uma pequena obra prima sobre transformação pessoal, virtude, amor à vida. Esqueça que é com George Clooney e preste atenção em seu personagem, o advogado Michael Clayton, um verdadeiro herói contemporâneo que tem conflitos, muitos defeitos, mas que apesar disso tem o a nobreza de contrariar o sistema e agir de acordo com sua consciência na decisão mais importante de sua carreira. Parece lugar-comum? A sinceridade que consegue imprimir dá a seu personagem dimensões humanas raras nos heróis de cinema. Sobretudo nos atuais. Ele me relembra outro trecho de Waking Life:

A
mensagem aqui é que nunca devemos nos eximir de culpa ou se ver como vítima de várias forças. Quem somos é sempre uma decisão nossa.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Manuscrito encontrado sob um colchão de Hospital Psiquiátrico - Quatro

10/6/09

Alvorada. "Acorda, patativa, e vem cantar". Ou dançar. Há pessoas que passam a vida inteira sem dançar, como ele. Ainda não está livre o suficiente para tanto. Um dia estará, ele sonha. Certamente nunca mais seria chamado de "patativa" depois que sua mulher se fora, muito menos daquele jeito cheio de alegria típico dela. E aquilo o fez chorar. Primeiro una fortiva lacrima, ainda às 4 e poucas. Depois nesse momento, às 5:37 a.m. Ela se fora como um anjo que abre mão de sua vida para salvar a de outro. Ele tem vontade de pedir perdão, "me perdoa,
sugar". Mas ela não está ali. A não ser que tenha virado uma canção, como na música do China. Assim ela não morreria nunca. Pensar aquilo lhe dá um certo conforto.
Como um combatente num filme velho de guerra com Frank Sinatra e Dean Martin ele ainda tem vontade de dizer a ela que vai honrar sua morte vivendo uma vida digna. Céus, hoje, sob a guarda de Jorge e a de Deus todo poderoso, o cara acordou sensível, sem saber se aquilo era uma benção ou maldição, provavelmente os dois. E resolve pensar na África, onde todos riem, cantam e dançam apesar da miséria. O programa de tv que assiste entrevista um sociólogo francês casado com uma africana. A pobreza não contamina suas almas. O cara quer escrever sobre pessoas. Como elas são. Porque Bogart disse em Casablanca que fulano de tal ser bêbado, ou estar sempre bêbado o fazia uma criatura do mundo? Não inglês, alemão, peruano ou mundano, mas do Mundo